Olá estimados leitores
Estivemos fora de circulação nas duas semanas anteriores, meu equipamento deu pane...
Bem, aos poucos vamos reorganizando as atividades e colocando nossos trabalhos novamente em ordem.
Pois é, da mesma forma que somos surpreendidos pela automação e mesmo imaginando que esta automação quer simplificar a nossa vida, ou no mínimo nosso trabalho, também em nossas atividades profissionais, quer sejam quais forem, estamos sempre sujeitos a surpresas que mudam muitas vezes o rumo de nossas decisões.
Nas Artes, em especial quando se a produz criativamente, a evolução de uma obra pode, e geralmente deve, ser enriquecida com estas mudanças de diretrizes ou de projeto, dando ao trabalho maior criatividade e espontaneidade, características peculiares para uma boa comunicação artística.
Seria como dizer: a obra de arte traz em si um segredo. É este segredo que a faz brilhar.
Não obstante, o planejamento do projeto, seja este figurativo ou abstrato, é fundamental para que se tenha em mente o que se deseja realizar, mas é de igual importância, saber dominar os valores que surgem durante o desenvolvimento da criação da obra. Como diz Fayga Ostrover: “os acasos da criação”
De certa feita, ao orientar uma aluna na execução de uma natureza morta, tomamos por base, como referência, uma composição de diversos vasos harmoniosamente organizados. Para nossa alegria, e satisfação, o volume de criatividade foi tamanho que o tema referência ganhou em brilho, transparência, leveza, harmonia, e acima de tudo, valorizou-se a força de expressão daquela aluna. E o resultado final culminou com uma obra única, inédita e emotiva.
Fazer arte, portanto, não é apenas uma questão de reprodução fidedigna, mas é antes de tudo, como já temos dito anteriormente, o espelho da alma, a força da comunicação, a arte de fazer Arte...
A grande maioria dos Artistas, mestres das artes, e ficaria difícil citar todos, exploraram e continuam (alguns da atualidade) explorando os valores da sensação, da comunicação da espiritualidade da obra e do tema, e isto independente de época. A tônica principal daqueles grandes Mestres, sempre foi a linguagem e a mensagem que a Obra de arte leva ao espectador.
Como um exemplo, entre muitos que poderíamos relacionar, vale a pena interpretar o quadro de Albrecht Dürer, 1523, “Os quatro Apóstolos”. Cada gesto, cada olhar, cada componente da Obra, tem um significado profundo e eminentemente expressivo. Não é possível admirar esta Obra sem “sentir” cada um dos Apóstolos, sem notar-se a exuberância dos detalhes que não querem ser “reprodução” por vez que é pura imaginação e criatividade de seu Autor. Dürer sintetiza esta criatividade, entre outros pensamentos, com as palavras: “Afirmo que a beleza e a forma perfeitas estão contidas na soma de todos os homens”. Isto equivale dizer que a somatória das experiências e das informações acumuladas, conduzem à liberdade criativa e ao conteúdo interpretativo e autêntico da obra.
O belo está exatamente em ser criativo, e não preso aos conceitos e regras predeterminadas.
Coubert (1819) disse: “Os Artistas são livres para estabelecer suas próprias regras e desafiar as convenções”
Sim, a arte de fazer Arte é ser autêntico, único, e amante de sua criatividade e de seu trabalho