O valor da comunicação plástica
W.L. Berner / Orientador de Artes

Certa vez fui perguntado qual era a mensagem desta e daquela Obra Abstrata, e também em outra oportunidade fui questionado porque de determinadas cores nas montanhas do horizonte numa paisagem...

Sem dúvida que os meios de comunicação artística têm ferramentas e recursos à disposição de seu objetivo.

Assim, a música tem as suas notas musicais que harmonizam a partitura de tal maneira que os “entendidos” nesta arte possam ler e representar aquilo que foi composto. Da mesma forma, o escritor, poeta, redator, colunista... se utiliza das letras para escrever sua mensagem, para aqueles que entendem aquela língua em que a matéria foi escrita.

E assim vai, em cada arte, o veículo de comunicação atinge um determinado público seleto que sabe interpretar ou consegue ler ou ouvir o que seu autor está comunicando.

Nas Artes Plásticas, e aqui, com todo o respeito, me refiro aquelas artes cujo fundamento técnico (filosófico, psicológico e plástico) é no mínimo conhecido pelo seu autor, ou melhor ainda, “dominado por ele”, as comunicações são mais abrangentes que em qualquer outra linguagem, por vez que a cor e a textura, interagem com o espectador, independente de sua nacionalidade. O que equivale a dizer que uma obra de arte vista no Japão pode causar os mesmos efeitos plásticos que quando vista no Brasil, por exemplo.

Realmente, tanto na pintura abstrata como na pintura figurativa, o fundamental é sem dúvida o domínio das técnicas disponíveis nesta arte e o sentimento do autor conseguindo expressar todo o seu interior, toda a sua alma, na Obra, e acima de tudo, conseguir através deste domínio, atingir os sentimentos do seu espectador.

Em recente discurso na abertura de uma Vernissage nossa no Centro de Cultura, o Rev. Hachtmann citou o Salmo 19, mostrando através deste Salmo, a força da comunicação “sem palavras” e a imensidão de sua abrangencia, por vez que é entendida em qualquer parte do mundo.

Sl.19: 1-3: ... “Os céus proclama a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras de Suas mãos. Um dia discursa o outro dia, e uma noite a outra noite. Não há linguagem nem palavras, e deles não se ouvem nenhum som.”...

Sim, sem a menor dúvida, as Artes Plásticas não necessitam de palavras nem de sons para comunicar seu intento.

Basta ao espectador deixar que as cores e texturas ajam em seu interior, em seus sentimentos, em sua sensibilidade, e saiba “enxergar” uma Obra, e não apenas “ver”. É assim como dizer: O belo está ao nosso redor, basta querer enxergá-lo.

Sim, o “belo” neste pensamento tem um sentido mais amplo, quer seja a Obra abstrata ou figurativa. O “belo” aqui quer sugerir que nos deixemos envolver pela emoção (intuição) e não pela razão.

Vale acrescentar: Entender a cor é enxergar o belo.

Vale a pena lembrar as palavras do Papa Gregório Magno (séc. VI) “a pintura pode fazer pelo analfabeto, o que a escrita faz pelos que sabem ler.”

Vale a pena finalizar com as palavras: Nas artes prevalecem os sentimentos puros da alma, portanto são imensuráveis os seus recursos de comunicação, e profunda revelação.

Esta semana, até domingo ainda os(as) amigos(as) interessados(as) poderão verificar nosso trabalho no Centro de Cultura, onde ocupamos as duas Salas (Afonso Arinos e Van Dijk). Agradecemos sua visita.


Email: walber@bernerartes.com.br