Ao se contemplar uma Obra de Arte, principalmente após o sec. XVI, nota-se que a planicidade, e a bidimensionalidade, comuns principalmente na pintura egípcia, perdem seu valor, ou se alguns preferirem, seu encanto, para uma nova dimensão geométrica e plástica, que trazem ao trabalho novos conceitos de lineariedade, planicidade, profundidade e quantos outros elementos técnicos capazes de evidenciar a tridimensionalidade, mesmo que se trate de uma Obra realizada em apenas um plano, a tela, o papel ou outro suporte plano.
Estas descobertas já foram aplicadas em obras famosas e ao longo dos séculos até aos nossos tempos e tecnicamente são chamadas de perspectiva linear e perspectiva tonal ( ou aérea).
No primeiro caso, a perspectiva linear, todas as referencias dos objetos ou figuras a serem desenhados, seguem normas de lineariedade vertical ou horizontal, e são referenciadas a uma linha horizontal denominada linha do horizonte que se encontra exatamente na altura de nossos olhos. Para esta linha do horizonte convergem as paralelas a um ponto de fuga que é exatamente o fenômeno responsável pela perspectiva linear. Este ponto de fuga no entanto pode estar contido na linha do horizonte, acima ou abaixo dela, somando ao trabalho uma informação linear de “subir” ou “descer”. Todos estes fatores “lineares” contribuem grandemente para a montagem de um trabalho ‘tridimensional” num plano único.
Porém não só a perspectiva linear é bastante para compor a obra com propriedade técnica.
A assim chamada perspectiva tonal, que é responsável pela gradação das cores em função das distâncias destes elementos em relação ao espectador, é fundamentalmente importante, por vez que é responsável pela noção clara da distância entre os referidos objetos. Isto significa dizer que quanto mais distante, tanto menos intensa é a cor e menos detalhamentos aparecem. É assim, que se compõem as obras cuja perspectiva se faz notada, e que acentuam a ilusão ótica da tridimensionalidade citada.
Digo no entanto: “... nem só a perspectiva linear, nem só a perspectiva tonal, como nem mesmo as duas perspectivas juntas são fundamentais e únicas responsáveis pelo bom resultado da obra. A estes dois recursos técnicos é necessário agregar um bom conhecimento e domínio da cor e principalmente (fundamentalmente) um perfeito domínio da sensibilidade intuitiva aliada intimamente à criatividade.
A Obra de Arte só é completa quando desde seu suporte, ( a tela por exemplo) é planejada e estudada. Como disse certa vez uma Professora: “limpa-se uma idéia e não uma Obra...”. Isto é o mesmo que dizer que é preciso planejar muito bem seu projeto para que seja bem sucedido.
Encerro com o seguinte pensamento: A Arte está na idéia que constrói o projeto facilitado pelo domínio das técnicas.