Bienal + 500
W.L. Berner / Orientador de Artes

Poder apreciar esta gigantesca mostra de arte que acontece no Parque Ibirapuera em São Paulo, é algo de deixar qualquer ser vivente vislumbrado com que pode ver. Mesmo que infortunadamente o possa fazer em passos acelerados devido ao tempo escasso que às vezes lhe resta ao ir em serviço a uma Cidade tão gigantesca...

Pois foi dentro de um “tempo apertado”, lamentavelmente, que pude visitar esta que para mim, está sendo a maior Bienal Brasileira dos últimos tempos, e com uma qualidade profissional de apresentação, didática, expressão comunicativa, e organizacional ímpar. Logo ao se chegar, qualquer que seja a opção de itinerário, já se percebe a grandiosidade do evento, pois toda a Bienal + 500 ocupa em verdade quatro espaços gigantescos ( para quem não conhece o Ibirapuera vale lembrar que é realmente uma área muito grande com diversos Pavilhões) : O Pavilhão Ciccilio Mattarazzo, a Bienal propriamente dita, com seus quatro andares com salas setoriais de arte contemporânea; de arte moderna; a série barroca; o olhar distante; arte afro-brasileira; arte do século 19, e a arte do inconsciente.

No outro Pavilhão, a Pinacoteca, acolhendo a Carta de Pero Vaz de Caminha; Negro de corpo e Alma; e Arte popular.

O Cine Caverna, outro pavilhão inesquecível; A Aldeia do Redescobrimento; a OCA com arqueologia, artes indígenas e muito mais.

Sim, de fato, os(as) Organizadores(as) deste Evento artístico superaram qualquer expectativa, sem deixar qualquer detalhe a descoberto ou desinformado.

Não é portanto uma Bienal como se costuma dizer: “...a Bienal dos absurdos...” , mas é um acervo de Arte e Cultura de nosso País que todo(a) brasileiro(a) mereceria ver, pois agrupa num só complexo tamanha riqueza artística, histórica e folclórica que certamente não o veremos juntos tão cedo assim.

Para os(as) mais desejosos(as) de “ver e enxergar” é necessário que esta visita seja feita em no mínimo (mínimo mesmo) dois dias, se não, o conveniente, ou o “raramente possível”, deleitar-se com tamanho acervo ao longo de uma semana inteira...

Vê-se muito, aprende-se mais ainda, e o que é maravilhoso: consegue-se reafirmar a grandiosidade artística e artesanal (folclórica) deste imenso Brasil, a beleza da Arte do Inconsciente que não raras as vezes é vista como “a arte do absurdo”. Consegue-se também analisar quantas obras estão aí nesta imensa Pinacoteca Mundial e quantas “linguagens” já foram e continuam sendo experimentadas, ratificando o conceito de que “nas artes não temos limites, mas ‘nada mais pode ser inventado’, já existe a milhares de anos, só podemos ‘reinventar, recriar’”.

Verifica-se também, com aquela didática e dinâmica visual, a afluência de pessoas de todas as idades, raças e origens, de todos os níveis culturais... Mas, verifica-se também, felizmente, que os valores interpretativos das artes plásticas estão resgatando, isto mesmo, resgatando a importância da “história da Arte” não apenas como uma fonte de “acervo cultural”, mas como uma “verdadeira fonte de inspiração, de informação, e acima de tudo: cultura técnica aliada à sensibilidade, ao emocional e ao valor do intuitivo”. Resgata-se portanto, mesmo que lentamente, a revaloralização do desenho como fundamento básico para a verdadeira Arte, legando ao período dito contemporâneo, a abstração sem desenho ( e muitas vezes sem planejamento), retornando-se ao valor do saber aliado ao valor do intuitivo conhecer ( emocional), e da identidade. Surge daí uma nova “geração” de autênticos Artistas: “A Geração da Vanguarda acadêmica”... Isto mesmo, uma geração de Artistas que busca dar imenso valor ao sentimento, à emoção, ao inconsciente, aliando a estes fatores fundamentais na Arte, os recursos técnicos de que tem conhecimento.

Um avanço incontestavelmente produtivo e que trará uma linguagem nova para a “autovalorização” e “autoreconhecimento”, até então relegados apenas aos seres mais sensíveis. Feliz terceiro milênio...


Email: walber@bernerartes.com.br