A pintura em geral é desenvolvida já a tempos em dois níveis, ou melhor: em duas etapas preliminares. É contudo sabido que uma boa obra tem uma jornada de trabalho bastante intensa e de vários momentos, principalmente se esta Obra tem um conteúdo técnico bem elaborado, e sobre tudo se a referida pintura tem a tendência acadêmica ou de retratos encomendados...
Uma das modalidades muito estimulantes, e porque não dizer: excitantes, é a chamada “pintura a la prima”.
Esta modalidade consiste em que o(a) Artista pinte a uma só investida, isto é, em primeira mão, sem um esboço premeditado e, principalmente na natureza morta, deixando as pinceladas expressarem mais marcantemente o gestual do(a) Artista, sem que haja preocupação com reprodutibilidade fidedigna, e com a exteriorização sentimental mais acentuada.
Este tipo de obra requer do(a) Artista muita criatividade, intimidade com instrumentos e técnicas, e acima de tudo um profundo conhecimento das teorias das cores (não apenas o círculo de cores), como Lei de Chevreul; lei de Albers; teorias de Goethe; a lei da cor inexistente; a psicologia da cor, e tantas outras informações fundamentais que precisam ser observadas quase que “instantaneamente” para que os resultados desejados sejam bem sucedidos.
Os trabalhos “a la prima” se prestam grandemente para estudos ao vivo, de paisagens, de naturezas mortas e estudos de modelos que posam para serem reproduzidas Ou seja: é uma modalidade onde sentimento e velocidade de decisão andam de mãos dadas, e a perspicácia artística em captar luz, cor, detalhes, gestos, movimentos, e muito mais, não podem ser retardadas por influencias externas.
Lembro-me de Monet, que chegou a montar o seu ateliê sobre uma canoa para “captar” melhor os “movimentos das marolas das águas do lago”.
A propósito, o Impressionismo, o Fauvismo, e o Expressionismo, a meu ver, foram os períodos mais marcantes onde a pintura a la prima foi utilizada em todos os seus recursos.
É de se salientar ainda que uma pintura a la prima, não desmerece a qualidade artística da Obra, desde que seu (sua) Autor(a) tenha de fato o domínio daquilo que está executando, e não apenas, aleatoriamente “enchendo uma tela...”
A Arte de pintar “a la prima” é para o(a) Artista um devaneio e um êxtase plástico que lhe dá a oportunidade de criar em primeira mão toda sua sensibilidade captada e inspirada no ato, sem muito tempo para decisões...
A prática desta modalidade permite também a(o) Artista o esboço de seu trabalho sem que com isto perca as diretrizes subsequentes da obra.
Modernamente se tem utilizado bastante a acrílica para estes estudos, e com uma sobre-pintura a óleo, ou mesmo uma sobre-pintura a acrílica. Todavia, qualquer que seja a técnica adotada, não é conveniente que se sobreponha a acrílica ao óleo, contudo o inverso é tecnicamente correto.
A pintura a la prima portanto é, como dito, o devaneio instantâneo do(a) Artista e, no caso da acrílica, facilita em muito o transporte da obra por estar seca em pouco tempo depois.
É também uma modalidade de pintura de campo como pintura de ateliê. Assim, contribui ao estímulo para a prática da arte sem preocupação com o perfeccionismo acadêmico. Relembro um pensamento, para finalizar: A genialidade de um Artista não está apenas na sua intimidade com as diversas técnicas, mas principalmente no seu imenso potencial criativo.