Aparentemente este título relembra informações já acumuladas ou publicadas nesta coluna, mesmo que “nas entrelinhas” de outras matérias, mas nunca é tudo por mais que se seja detalhista na informação, sempre surgem novas curiosidades, vivências, ou relembranças. Como disse o sábio Cientista no leito da morte: “Morro feliz por saber que nada sei”. É verdade, nesta vida, felizmente, sempre temos novidades embutidas mesmo nas matérias “já sabidas”...
Ou ainda como nos lembra a ciência: “o mais sábio dos sábios, somente aproveita 1/3 de sua capacidade mental...
É fenomenal saber-se capaz de ampliar a cada dia o potencial de informações que nos é apresentado, e que nosso cérebro “arquiva, engaveta” para ser usado oportunamente quando se fizer necessário.
Esta introdução quer apenas ser um motivador para a boa leitura de uma maneira geral, pois não raras as vezes pensamos ou ouvimos : “isto eu já li ou já ouvi...” A aquarela, o tema de hoje, foi enfocado por outro prisma na matéria nro. 15, de 30/11/99, uma lembrança para os que estão acompanhando esta coluna, e a aquela crônica acrescento recentes curiosidades que pude viver neste fim de semana quando estive numa grande feira de Arte e Artesanato em S. Paulo, conhecendo na oportunidade pessoas interessantes e bem preparadas no meio artístico.
Entre estas pessoas, conheci o Artista Phillip Hallawell, que alem de Artista plástico e especialista em diversas técnicas, assim como especial desenhista, é também um aquarelista desprendido.
Sim, digo desprendido, pois não raras as vezes percebemos “a dureza dos traços” nesta técnica exatamente porque a pessoa está literalmente “atrelada ao anseio do copismo”. Neste sentido, ao iniciar sua demonstração pública, Phillip diz:...”vamos começar, mas sem desenho... nada feito”.
Pensei imediatamente que veríamos ali uma demonstração de um desenho perfeccionista, na agilidade de um grande Mestre..., mas qual nada, para minha satisfação e alegria, não passou de um levíssimo esboço do tema que lhe estava fundamentalmente ( e com certeza detalhadamente) montado em sua mente...
Imediatamente, após poucas palavras, já introduzia suas pinceladas e “enceradas” precisas num “devaneio” cromático peculiar das aguadas que se é permitido na Aquarela. Entre suas explicações, e pinceladas paralelas em papel auxiliar, lá ia nosso Artista “compondo” aquela mancha que para o leigo não tinha nenhum significado.
Por entre estas pinceladas iniciais, surge mais umas palavras de Phillip: ... “para um bom domínio da aquarela não basta o conhecimento da técnica, mas em primeiro lugar, o conhecimento profundo da cor, seguido do mais importante: desprendimento e coragem, criatividade...” . Sim, estas palavras animadoras foram bem exemplificadas em suas pinceladas precisas, porem literalmente livres, que passo a passo, foram revelando sobre as ditas “manchas de fundo” um belíssimo perfil de rosto feminino.
Não pude acompanhar seu demonstrativo até o final, infelizmente, infelizmente mesmo..., mas pelo evoluir do trabalho e daquilo que pude ver até aquele momento, pude sentir-me agraciado por saber que a Arte ( e não somente a Aquarela) é realmente o fascinante penetrar no sentimento e na intimidade intelectual do Autor.
Na mesma oportunidade, pude conhecer dois outros Artistas: Evanice Bonavghi, com suas belíssimas flores em arranjos de Natureza Morta, senhora talentosa, e o jovem Mauro Andriole, também trabalhando em grande obra “acrílica sobre tela”, com um tema contemporâneo / figurativo.
Todos três deixaram seu recado marcante a quem se aproximasse deles, mostrando sempre a mesma tônica: “Arte é antes de tudo sentimento e amor...”
Voltando todavia ao tema de nossa crônica, a “Aquarela”, lembro-me de um grande Mestre: Götz Adriani Cezanne. Sim um gênio da aquarela e que soube já em seu tempo, (sec.19) despertar uma pincelada livre, sentimental, e corajosa (para a época principalmente), e que é revisada ou como se diz hoje: “feita releitura de seus temas”, trazendo uma aquarela contemporânea, bonita e solta.
Não está pretendido com estas palavras, esquecer as aquarelas quase fotográfica, e diga-se de passagem, belíssimas, tecnicamente perfeitíssimas, e também com grande expressão sentimental.
O que se deseja destacar, é que na aquarela ( e nas outras técnicas também), a “alma do Artista” fica eminentemente exposta, e esta técnica em especial (a aquarela) merece atenção diferenciada por suas capacidades óticas e de transparência. Lamentavelmente, relega-se à ela um segundo plano, devido ao “papel”. Sim o papel (o suporte) é fundamental, portanto não se deve negligenciar nos materiais artísticos, pois estes são parte fundamental para a qualidade do trabalho. Diria até: tão importante quanto a capacidade do Artista.
Mas feliz aquele(a) que tem o privilégio de praticar ou apreciar a boa Arte.