INFANTA MARGERITA OU “LAS MENINAS” E “A VIRGEM E O MENINO”
W.L. Berner / Orientador de Artes

Nomes bastante simpáticos, mas certamente estranhos para algumas pessoas, pois o verdadeiro nome da primeira obra de nosso comentário é “Las Meninas” de Diego Velázquez, grande Mestre das artes (1599-1660). Este grande criador, expressou nesta obra, tamanha qualidade e tão grande quantidade de recursos técnicos, ao que denominamos “fenômenos da arte”, que lhe conferiu esta insígnia de ser considerado o “Mestre dos Artistas” até os tempos atuais. Nesta obra por exemplo, ele com propriedade ímpar, soube aplicar as leis de Chevreul, “a cor inexistente”, os efeitos do reflexo esfumado, além de ser uma composição artística de tamanha harmonia e ao mesmo tempo com tanta perspicácia, que o próprio Casal Imperial, que deveria ser pelas normas da época, o principal plano, passa a figurar dentro de um espelho a fundo perdido. A Princesa, infanta Margerita, suas Damas de companhia, e o cão, são em verdade o “primeiro plano”. E o mais curioso, tanto artista como obra (presume-se tratar-se da própria cena), são em verdade a grande expectativa desta valiosa peça.

Não obstante tamanha magnitude daquela pintura, suas cores, contrastes, luz e sombras, Diego Rodriguez Velázquez, foi audacioso o bastante para desafiar em pleno século XVII, todo o Clero e a Monarquia, ao ponto de conseguir através de suas obras e manifestações, transformar o assim chamado medíocre Rei Felipe IV, em ilustre e de pompa invulgar ao ponto de entrar para a História Mundial.

Suas obras têm grande influência dos artistas do século XVI, em especial Ticiano. Pablo Picasso, em 1957, faz uma “releitura” desta obra, “Las meninas segundo Velázques”, obviamente dentro de suas características eminentemente modernas. Fato é que esta obra, assim como o próprio Velázques, são motivo permanente de releituras, estudos, e revisões, pois seus traços são verdadeiras “aulas de Obras Primas”.

A segunda obra que registramos é de El Greco, conterrâneo de Velázques, e que também marcou uma pintura diferente e revolucionária para aquele século ( viveu entre 1541 e 1614), a ponto de ser considerado “precursor do Expressionismo, imaginem... A obra que destacamos, “A Virgem e o Menino” é uma entre muitas que este mestre pintou, com seus traços e formas alongadas. Foi um Artista místico que soube igualmente marcar sua passagem por esta vida e deixar uma herança inigualável para todos nós, amantes das artes, principalmente com temas religiosos.

Seus conflitos psicológicos se refletem especialmente no trabalho “Laocoonte” de 1610, portanto pouco antes de sua morte. Esta obra, de certa forma tempestuosa, acredito, marca bem o conflito deste gênio prevendo um mundo conturbado e sofrido. “Laocoonde” incorpora o sofrer e o devaneio (paradoxalmente), enquanto ao fundo se projeta uma grane cidade com características poluídas (imaginemos isto no sec. XVI...) e com um céu tempestuoso, anunciando uma catástrofe sem igual.

Nas duas obras que nesta crônica procurei ressaltar, vemos o quanto a obra de arte não é apenas um “retrato do que achamos ‘belo’ ou decorativo”, mas há de se perceber e sentir que, como outros grandes Mestres, a Obra de Arte é antes de tudo o “revelar do sentimento de seu autor”, como já vimos dizendo.

A propósito destes dois Artistas, Velázques e El Greco, o carioca ( o Brasil certamente), terá novamente uma oportunidade inigualável de contemplá-los no Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, a partir de 11 de julho até 24 de setembro. Vale a pena conferir. São raridades que nossos olhos não verão tão cedo denovo.


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