O SÉCULO XX
W.L. Berner / Orientador de Artes

Interessante notar como nosso século, o 20O. desta história, tem sido tão eclético e tão inovador, como nunca.

As guerras mundiais tiveram suas mazelas negativas, mas foram também responsáveis por um desenvolvimento tecnológico que impulsionou uma criatividade tremendamente acumulativa e acelerada, a tal ponto que tudo hoje é um “verdadeiro ontem”, por vez que ocorrem com tamanha velocidade que quase perdemos o controle sobre os fatos acontecidos. Nas Artes em geral não foi diferente.

Contam os livros que “calcula-se que haja mais artistas em atividade hoje do que havia em todos os três séculos da Renascença”. Uma verdade incontestável que gerou uma “cascata” de tendências, estilos, escolas, ou formas de expressão artística, que transcende à qualquer expectativa, a ponto de não se ter mais uma “tendência dominante” a que se pudesse caracterizar a arte hoje...

Fala-se muito em “arte de vanguarda”, fala-se muito na pintura do “eu agora” (pinto para mim agora, sem me preocupar com quem quer que seja ou a durabilidade da obra...). Fala-se também (felizmente) em releitura e busca de valores para uma retomada e inserção do figurativo, mesmo que sutil ou fraca, mas que permita ao espectador uma contemplação que possa ser no mínimo absorvida.

Encontrei a seguinte constatação em um livro de arte: “Tudo é completamente novo e inquietante, e a arte tem propensão natural a refletir esta situação”.

Sem dúvida que esta afirmação é forte e fundamentada, e creio que os anos que se seguirão, diante da automação acelerada do jeito que vai, a Informática, os recursos técnicos e novos materiais, certamente trarão consigo novidades de expressão e comunicação que certamente vão extrapolar todo o conceito de Arte que até agora se vem mantendo.

Tivemos nomes importantes, como Picasso, Matisse, Kandinsky, Mondrian, Paul Klee, Dali, Pollok, Warhol, e quantos mais, com o mais sincero respeito a todos(as) que compõem a Pinacoteca deste século.

São muitos sim, e de valores incontestáveis, e também de “(re)descobertas” sensacionais, como a revisão do conceito “cor”; a máquina fotográfica como recurso inseparável para o Artista; a forma; a mensagem...

Todos, enfim contribuíram e continuam contribuindo, cada um a seu tempo, para fazer a história da Arte.

O novo milênio, como disse, certamente trará em si novidades incontroláveis, que não haveremos de ter forças suficientes para “absorver tanta inovação”, mas certamente teremos provavelmente “mais tempo” (será ?) para “curtir contemplar o que nos espera. E quanto a nós, Artistas de Vanguarda, Pintores Acadêmicos, Comunicadores através das Artes, enfim, e nós que fazemos deste veículo nosso meio de expressão e quem sabe, meio de vida?

Busquemos nosso espaço num sentido de competitividade e crescimento cultural conjunto, sem a indesejada “concorrência sem ética”. A final, como diz o ditado popular, “o sol nasce para todos”, e completo com a reflexão de que * a revolução do Fazer é a insatisfação pelo que se fazia * , e diria mais, se é nosso desejo em ter um mundo melhor, lembremo-nos das palavras de Gui de Maupassant: “ O Artista tem a liberdade de enxergar, de criar um mundo mais belo, mais simples, mais consolador do que o nosso”. Completo com o seguinte pensamento: Comunicar-se através da arte é um privilégio daquele que se encoraja na prática ou na vontade de externar seus sentimentos para que seja visto, ou ouvido, ou até sentido...

Façamos cada um a sua parte neste mundo que é de Deus, para que possamos singelamente participar desta vida que nos foi confiada... São pequenas gotas que compõem o oceano...


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