Eu, agora...
W.L. Berner / Orientador de Artes

Ao longo das caminhadas artísticas, encontramos os mais diferentes colegas e conceitos sobre a Arte, que não raras as vezes nos surpreendem quanto ao seu conteúdo pragmático, ou por outro, conteúdo filosófico.

A expressão artística, como temos lembrado constantemente, é fundamentalmente um espelho da alma do Artista no anseio de comunicar-se com o (a) espectador(a). Portanto, é de se compreender que uma obra de arte, por mais curta que seja sua “sobrevivência”, é executada para levar a público uma mensagem ou quando pouco, uma oportunidade interpretativa comunitária.

Há no entanto aqueles(as) que procuram “burilar” ensaios ou obras, que satisfaçam apenas seu ego momentâneo, sem se preocupar com a essência fundamental da Arte que é a comunicação visual..., o viver Arte.

Lamentavelmente são trabalhos que se esvaziam em conteúdo e finalidade. É como um precioso tempo de vida que é jogado ao leu, sem que seja respeitado sequer a dignidade alheia, ou sua própria dignidade criativa.

A nossa vida é breve, se temos o privilégio de vivê-la 80 anos ou mais, ou se somos privados já em tenra idade, ainda assim, é breve. E creio que é preciso saber viver este “eu agora” num sentido mais amplo e mais abrangente.

Me faltam palavras para expressar este pensamento, mas não concordo com este sentimento do “eu agora” no sentido raso e simplista da única e exclusiva auto-satisfação sem visar aqueles que conosco convivem neste mundo.

A arte, como a nossa própria responsabilidade de vida, quer sugerir (ao menos) o convívio comunitário enquanto aqui estivermos, deixando a “vontade imediata” como herança duradoura.

Minhas palavras hoje são poucas, diante desta expressão “eu agora”, por vez que de um lado, quer nos fazer refletir um conceito individualista e egoísta, por outro lado, quer nos lembrar que sendo protagonista da vida que nos é confiada, posso a curto ou médio prazo, marcar a minha existência com propriedade e amor, sem a necessidade deste “egocentrismo” conceitual.

Assim como na arte, este “eu agora” pode suscitar exemplos magníficos de resultados realmente marcantes. O conceito em si é fundamental pois permite ao estímulo, à criatividade e ao fazer. O lamentável é que alguns o praticam realmente, como disse, para a auto-satisfação.

Deixo um pensamento nesta crônica tão curta, mas não sem antes registrar meu profundo pesar pelo falecimento do meu querido “sobrinho” Rafael Stumpf (filho de um grande amigo), que em sua curta passagem por esta vida (21 anos) soube entender o “eu agora” no sentido da plenitude da vida com imenso respeito a seus amigos e parentes. Um jovem, que como tantos outros, amou e respeitou seus pais e amigos sem se esquecer nunca de que o que fez até aqui, marcou a força de um viver intenso e respeitoso do ser gente, do viver em amor.

O pensamento para sua reflexão o deixo com carinho:
É bom não ter ansiedade quanto ao futuro, anima-nos a conquistá-lo sem temor.

À querida família Stumpf, nossa oração de compartilhamento na dor e na fé em Deus o Soberano; aos caros leitores o fraterno abraço, na esperança de que cada um saiba avaliar o “eu agora” de si para a vida...


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