A semana que se passou, foi de imenso conteúdo histórico, artístico, religioso, festivo. Isto porque na mesma semana, que começou com a histórica entrada triunfal de Cristo na Cidade, o “domingo de Ramos”; a dramática guerra dos Canudos (uma atrocidade nordestina), a crucificação de Cristo, os 500 anos do descobrimento do Brasil, que aliás, pudemos conferir nos noticiários deste fim de semana que não foi “tão festivo assim”, culminando com a Páscoa que em verdade quer nos lembrar a ressurreição de Cristo, a Vida, a Nova Aliança, o novo Viver...a Fertilidade.
Foram momentos extremamente marcantes, entre outros episódios que a humanidade em todos os tempos teve que conviver ou “viver o sentir”, sem chances de escolha, sem voz ou vez, diante dos desejos superiores reinantes.
Quem teve oportunidade de assistir os dois capítulos apresentados pela rede de televisão “HBO”, sobre a vida de Cristo, com uma linguagem atual e moderna, pode constatar que aquele escritor fez uma “releitura” perfeita sobre aquela tão famosa história, pintada e narrada por inúmeros Artistas. Mas ao que me consta, esta apresentação cinematográfica, ( a arte enquanto visual) trouxe ao(a) espectador(a) momentos muito fortes de reflexão (releitura), de emoções e sobre tudo, um paralelo com o episódio da Paixão com nossa vida atual, a guerra dos anos 40, a guerra dos Canudos (no nordeste), a vida hoje, e a vida “de agora”. Isto é: encerra o filme, com aquele ator que encenou a vida e morte de Cristo, num ambiente do nosso tempo (sec.20), rodeado de crianças comuns, demonstrando um calor humano moderno acolhedor e rico em amor.
A pintura gótica, que inicia no séc. 13 e vai além do séc.16, retrata em inúmeras obras a vida de Cristo, como Cimabue com o painel “Maestá”; Duccio e “o Santo sepulcro”; Giotto com “a lamentação”; Van der Weiden “a descida da Cruz; Grünewald “Crucificação”; seguindo-se com a famosa obra de Giotto “O beijo de Judas” que em síntese é uma das mais discutidas obras no tocante ao cenário mas também com referência à psicologia da cor, suas mensagens, ou melhor dito: “a força de expressão e sensibilização da psicologia da cor” representada em cada um dos integrantes da obra suas vestimentas e expressões faciais e corporais.
Todos estes trabalhos, retratados durante os séculos passados, mereceriam uma “releitura” para nossas épocas, com nossas linguagens de Vanguarda, para que se pudesse avaliar o verdadeiro sentido da vida, quando se tem em mente o paralelo com as guerras insanas de cujos nomes já citamos, ou que de outras nos lembramos.
Um retrato da “vida” (ou de genocídio, morte?) que vemos na obra “Guernica” de Pablo Picasso (1881-1973), mostrada em público pela primeira vez em 1937 e que certamente provocou e continua provocando “uma releitura” da vida em quem a contempla, com admiração mas também de perplexidade real e forte.
A arte está aí para documentar o nosso cotidiano, mas não somente o sofrimento humano, como também, com certeza, pode e tem retratado “o belo do viver”.
Picasso disse: “A Arte é uma mentira que nos faz perceber a verdade” A “vida”, o viver que a “Páscoa” nos traz como mensagem é sinônimo de “fertilidade” (daí a representação dos ovos e do coelho), de um cotidiano em harmonia com a Natureza, de um “labor sem fim”.
Mas também aí o Artista necessita com mais intensidade ainda expressar seu sentimento e equilíbrio pessoal.
Várias obras (muitas mesmo) retrataram o nosso mundo de ontem e de hoje ( e alguns Artistas arriscam até uma pintura futurista, e porque não?). Um tela que aprecio muito (entre tantas outras) é a “Carroça de Feno” de John Constable ( 1776-1837) que dizia: “devo pintar melhor os lugares que são meus - pintar não passa de um sinônimo de sentir”. É uma constatação absolutamente real da vida expressa sobre a tela. Encontramos nesta obra não apenas uma bela paisagem, mas situações que mostram claramente: o viver; a comunhão; a integração; a harmonia; a luta pela vida; o amor; o simples; o SER. Constable foi um grande paisagista em sua época, juntamente com Turner. Mas também foi muito criticado pelo conteúdo de suas ansiedades. Uma das questões foi “porque Constable era rejeitado?” Diz-nos a história: “Seu desejo era tornar a paisagem tão importante quanto a pintura histórica; acreditava que ‘a luz do dia, criada por Deus Todo-Poderoso’, tinha tantos valores morais e espirituais como uma cena da história antiga. Queria também que as pessoas parassem diante de seus quadros e sentissem o esplendor e o frescor da Natureza.” (in. Para entender a Arte, pag. 79).
...Mas, frustrado, vivia deprimido por não ter sido compreendido e estar à frente de seus contemporâneos...
Sim, a arte registra a história, mas preocupa-se também com o bem estar (assim esperamos) do(a) espectador(a).
Se nesta semana, como dito relembramos vários episódios da história da humanidade, há que se fazer uma “releitura” do verdadeiro significado da Páscoa, e lembrar que vida é acima de tudo “amor”, e que o Artista é o protagonista da verdade, como nos lembra Picasso. Deixo para reflexão, ao(a) caro(a) Leitor(a): Se cada qual, militante na sua ARTE, tem a missão Divina de comunicar a Verdade que lhe é atribuída a comunicar, estará cumprindo com os desígnios mais nobres do seu próprio SER.
Ate breve.