Pensando ARTE
W.L. Berner / Orientador de Artes

Recentemente recebi uma correspondência de uma colega do meio artístico, que foi veiculada pela Internet, cujo conteúdo vai bem de encontro com o que viemos protagonizando em crônicas anteriores.

Com a devida autorização da Colega, e no anseio de compartilhar com os caros Leitores o assunto, repasso na íntegra a matéria de Nazareth Bizutti: naeh@continet.psi.br

Buscar compreender o valor da Arte e os seus fundamentos na construção harmônica do ser humano é abrir caminhos de sensibilidade, de criatividade e do fazer melhor, com mais qualidade, tudo na vida.

A Arte educa o caráter, desenvolvendo a ética e a estética. Expande a cultura estimulando a inteligência, a curiosidade e, quando, aliada à ciência já produziu maravilhas tecnológicas.

A linguagem da Arte está no nosso cotidiano, em cada coisa que fazemos. A Arte está no nosso modo de olhar cada coisa. A observação tão necessária para a apreensão do mundo que fazemos parte. A Arte está no nosso modo de ouvir cada som, que soma, articuladamente, palavras e significados, signos e símbolos nos levando à leitura viva de um sentido mais humano, natural e global da vida.

A Arte tem em si a globalização perfeita da linguagem. E por falar em globalização, palavra tão usada nos últimos tempos, no sentido da economia, sem esquecer a ecologia para não poluir tudo com os fazeres e conceitos megalomaníacos da sociedade de consumo. Não podemos deixar de lembrar que está na Arte-Educação o fortalecimento ético e estético do caráter humano a caminho da sociedade futura, que já vem sendo chamada de Sociedade do Conhecimento. Conhecimento como SABEDORIA-SEMENTE na construção de uma nova humanidade. A Arte é a principal construtora da cultura de um povo. Se hoje nós conhecemos a História dos povos mais antigos devemos isso aos artistas, poetas e pintores, que foram registrando desde a época das cavernas os sinais do seu cotidiano, que o próprio tempo fez questão de resguardar.

Um povo que não tem Arte, não registra a sua passagem no tempo, não guarda o seu valor, a sua lição de vida. Os antigos Egípcios, por exemplo, não mediram esforços em registrar em grandes murais todo o seu cotidiano, como se contassem a sua História em quadrinhos. E nós... o que fazemos? Apontamos para a Arte acusando-a de qualquer coisa ou coisa nenhuma, sem utilidade?

A Arte é essencial. Tão essencialmente necessária como respirar. Há 500 anos atrás, na época do Renascimento foi pela Arte que a visão da humanidade ganhou profundidade com o surgimento da perspectiva, a transformação foi intensa. A visão de um mundo quadrado e cheio de monstros do além mar foi substituída pela coragem e pela ousadia que a Arte da navegação proporcionou, provando um mundo redondo e possível de abrir novos horizontes. Estamos chegando ao fim de mais um milênio o fazer humano ganha novas dimensões e perspectivas e a Arte faz parte de todas essas inovações. Está provado que pela Arte-Terapia é possível recuperar-se o equilíbrio emocional e mental, e que crianças e jovens que participam de oficinas de Arte são mais equilibrados e podem expandir a sua energia com mais direcionamento e maior produtividade.

Desenvolver linguagens, comunicação e expressão... aprender a falar, a expressar os pensamentos e sentimentos faz parte do dia a dia. A árdua tarefa de um educador que alfabetiza, que leva crianças a compreender que as palavras, os sons têm seus desenhos, símbolos e sinais que os representam é uma das tarefas mais nobres desenvolvidas pela Arte de ensinar. Abrir horizontes de conhecer, tornando a história de cada indivíduo alfabetizado uma história escrita, falada, desenhada enfim uma história viva dentro da civilização e da cultura é construir um mundo melhor."

Agradeço à colega esta contribuição de inestimável conteúdo, e ousaria acrescentar que através da Arte podemos nos manifestar com profundidade. E para refletir deixo o seguinte pensamento: Os sentimentos podem ser manifestados de várias maneiras, mas o mais fiel é o sentimento arte.

Abraços


Para reproduzir esta matéria solicite a autorização da autora, Nazareth Bizutti: naeh@continet.psi.br