A paisagem que nos cerca nesta Região Serrana, é por demais cativante e inspira não só o turista que a visita, mas principalmente aquelas pessoas que de alguma forma se envolvem com a natureza, o belo, a Criação.
Não é de se surpreender que vários Artistas, a exemplo de Batista da Costa, de quem comentamos semana passada, se enamoram por este imenso território que é pontilhado de montanhas, vales e várzeas.
Um amigo, mineiro, residente em S. Leopoldo / RS, quando estava em Petrópolis, disse ao voltarmos de Araras com nosso carro: "Petrópolis me assusta e me encanta, a cada curva vemos uma nova paisagem". É uma verdade.
Sem dúvida que a inspiração artística, quer seja plástica, poética, ou musical, sempre é ricamente abastecida diante do belo que a Natureza nos oferece graciosamente. Basta ter olhos para enxergar além de simplesmente ver...
Quando estamos diante de uma tela branca, não raras as vezes contemplamos aquela superfície alva e nos deparamos com um verdadeiro desafio de grande responsabilidade: o de transformar aquele "tecido" numa interpretação sensível do tema à nossa frente, ciente de que esta interpretação será examinada e contemplada por alguém que poderá ter suas emoções tocadas para o belo ou para o devaneio, ou até outros rumos não tão desejados...
É uma responsabilidade muito grande para o Artista, em especial aquele que pinta a paisagem, por vez que é o protagonista de um tema às vezes não atingível pelo que contempla a obra. Assim como é de sua inteira responsabilidade saber interpretar este tema, ou paisagem (no caso específico) transmitindo através de suas pinceladas toda mensagem a que se propôs sem ferir os princípios básicos da Natureza e a Sua grandiosidade.
Disse o Poeta, sabiamente, referindo-se à tela: "De certo esta respeitável senhora sente-se agora delicada donzela"
Sim, este Poeta, é um Geólogo, recém formado, amante da Natureza, Alpinista e Excursionista.
A este meu filho, Alexandre Berner, agradeço o poema que compôs em sua imensa sensibilidade poética, e compartilho com os caros leitores estas palavras:
Essa serra tem montanhas
tem caminhos como teia de aranha
e suas entranhas têm uma beleza
que chega ser estranha.
Digo isto pois por vezes é mórbida
tem agulhas que espantam a neblina
dançam bale com cara de esgrima
No inverno: frio e cortante
No verão: traiçoeira e alvejante
A quem não lhe respeita, presenteia com a morte
A quem o faz, por vezes, concede a sorte
Mas não é só este seu desafio:
andar por seus cantos mais sombrios
Apresenta diversos ângulos
que há tempos despertam encantos
De longe quem um dia lhe viu
comparou a instrumento de tão nobre som
Como é lindo aferir ao que a Natureza criou
aquilo que faz apenas o homem que tem um dom
O tom desta obra tão bela
é agora representado
seja em terra, óleo ou aquarela
É o homem em harmonia com ela
Observa
e põe sua impressão na tela
De certo esta respeitável senhora
sente-se agora delicada donzela.
Fraterno abraço,
W.L.Berner