Uma das questões que mais se destaca quando se fala de arte, ou se fala de conseguir pintar ou desenhar com facilidade, é de imediato o "dom". É isto mesmo. Logo se diz que tal ou qual tem o "dom" de pintar ou desenhar, que "eu" não possuo...
Sem dúvida que tais pessoas são dotadas de um desenvolvimento peculiar do seu cérebro, e assim despertam as qualidades artísticas, quer sejam na música, artes plásticas ou, melhor dito: despertam seu "dom"...
Na crônica que escrevi nesta coluna em 25/10/99, comentei sobre os dois hemisférios de nosso cérebro, e as questões da desenvoltura e do ensinamento humanos.
Em recente conversa, e em artigos publicados nos últimos tempos, nota-se que é comum a revalorização dos incentivos à criança, e ao adulto também, quanto à prática da arte para o melhor desempenho educacional, intelectual e emocional da pessoa.
Isto significa, a meu ver, que "dom" não nasce feito... mas todos os seres humanos nascem dotados de capacidade do aprendizado e do dito "dom", desde que para tal sejam motivados e conduzidos.
Interessante salientar que o inverso também é verdadeiro, isto é, um simples "não", pode provocar numa criança tamanho bloqueio que toda sua criatividade fica prejudicada, projetando-se ao longo de toda a sua vida esta "pseudo incapacidade" do fazer com arte. As pessoas que se iniciam na fase adulta, numa atividade artística, qualquer que seja, se sentirá bastante mais apta àquela prática, na medida em que procurar se desligar dos "bloqueios" que lhe impedem a espontaneidade, a criatividade, a liberdade enfim, do fazer pelo prazer.
É incrível como se tem notado que determinadas pessoas se policiam dizendo-se incapazes de executar determinada tarefa artística, porque já de início começam se dizendo "não terem o dom" que fulano tem... Esquecem no entanto que o simples desejo de iniciar-se já é o primeiro passo para o desbloqueio e o encontro de si mesmo no sentido de descobrir seu "dom adormecido".
É bastante polêmico este tema, mas acredito que "dom" é uma questão intimamente ligado ao querer despertar sua sensibilidade, ao seu querer, ao acreditar em si próprio e claro, à dedicação (portanto pesquisa e estudo da matéria pretendida), aliada à persistência. Várias histórias de Artistas precoces estão aí para serem conferidas, na mesma proporção em que encontramos várias histórias de "vocações tardias", desde um J. Wolfgang Amadeus Mozart, menino precoce nas artes da música, como uma Ann Mary Moses, (Grand Ma. Moses) destaque na história do primitivismo que iniciou sua carreira artística aos 80 anos de idade...
Fenômenos? A Ciência que o responda... Acredito que em ambos os extremos, o nosso cérebro é um manancial de capacidade aproveitado em percentuais muito pequenos, o que permite ao ser humano, independente de sua idade (ou de seu "dom"), conhecer-se a cada dia como uma fonte inesgotável de conhecimentos e capacidades...
Lamentavelmente, ainda encontramos educadores que desmotivam seus educandos (aqui também diria: independentemente da idade). Felizmente, por outro lado, as Escolas mais atualizadas e os pais mais informados, estão apostando, isto mesmo, apostando, na capacidade da criança e do jovem, introduzindo com confiança nos resultados, a arte no currículo educacional e ocupacional.
Da mesma forma que se vem observando e praticando a terapia ocupacional, na valorização do ser com resultados surpreendentes na terceira idade e na saúde.
As artes plásticas, quando praticada não só como simples entretenimento, mas como razão para belas descobertas e estudos, é sem dúvida motivadora para o dito desbloqueio e para o reconhecimento de suas capacidades, de seus dons. Basta querer, basta tentar...
Pense nisto: "O que faço na Arte, o faço com a alma, para a glória de Deus", ...que nos deu o dom...