Ao encerrar a série de crônicas em 1999, fiquei como a revisar tudo o que se tinha escrito, para poder dar continuidade neste novo ano, ao trabalho da comunicação e informação, e me dei conta de que na temática "Arte", tanto o conteúdo histórico como técnico, não tem limites nem fronteiras que se possa dizer "esgotamos" o tema.
A princípio, gostaria de relembrar a última crônica em que o clima predominante no mundo inteiro era de expectativa, o famoso "Bug" e tantas outras especulações sobre novos tempos.
Depois que cada um de nós pode conferir e testemunhar a chegada do novo milênio, vemos que a vida continua, sem grandes novidades, diria, sem grandes surpresas... Nesta oportunidade de retomar nossa coluna, gostaria de tecer um comentário mais genérico sobre o assunto "épocas da arte" por vez que como já disse, a vida humana está amplamente documentada através das artes plásticas, e não poderia ser diferente, mesmo com os modernos recursos de registro, como máquinas fotográficas, agora inclusive digitais, e a computação gráfica.
Continuamos pintando. E muito. Mas uma pintura conceitual e estrutural que transporta para a tela uma discussão de conteúdo, de proposta, de filosofia, de abstração retomando valores, fazendo releituras.
Isto é um sinal dos tempos, e relembro as épocas da virada do século 19 em que entre o impressionismo e o expressionismo, aparece um movimento (ou diríamos: uma manifestação) que levou o nome de Fauvismo.
Uma tentativa dos então Impressionistas, como Matisse, o precursor desta "experiência", Van Gogh, Gaugin e o próprio Cézanne, que como protagonistas da cor como veículo da comunicação, experimentaram trazer em suas telas a cor não mais como um elemento descritivo, mas apenas como um elemento, ou instrumento, de luz, sem preconceitos. Tentaram naquela época, desviar-se de todos os princípios da plástica, da ótica, da perspectiva aérea, enfim, de toda a teoria da arte para colocar diante do espectador uma nova linguagem que perdurou por pouco tempo, infelizmente.
Vale a pena conferir "O Rio" de Vlamink (1910), e "A ponte de Charing Cross" de Derain (1906), para se ter uma idéia do que estes Mestres se propuseram. Vale também conferir o retrato de Madame Matisse, de Henry Matisse (1905) onde a combinação cromática bem define esta ousadia chamada Fauves...
O novo século, o século XX, tem seu domínio artístico baseado principalmente em Matisse e Picasso, que foram na verdade os precursores das artes abstratas, e da coragem criativa.
Matisse, em "Les bêtes de la mer" (1950), mostra nesta obra o tempo certo e as colagens que até agora se tem pesquisado e entre outros, praticado. Pouco mudou... Por semelhante caminhos, e ainda bem que é assim, esperamos para o novo milênio "novos Fauves" (Fauves, do francês = feras), novos "Matisses", capazes de em suas coragens e criatividades, trazerem a público novos elementos ou novos conceitos da arte, principalmente no que tange à arte virtual (arte através da computação). O novo fazer... o novo milênio...