Estamos vivendo mais um destes momentos de muita luz, muita euforia, muitos presentes, afazeres de última hora, e em especial neste ano, a expectativa de um novo milênio, que traz já em sua bagagem uma corrida desenfreada para nós humanos, como já viveram nossos antepassados, em toda virada de século, e na passagem do milênio 1000.
Certamente que todas estas questões, em especial a velocidade de vida em que estamos inseridos, levam a todos(as) a estas corridas contra o tempo, especialmente porque as mensagens, propagandas, mídia de uma maneira geral, descarregam sobre todos nós uma imensa bagagem de informações, as mais diversas possíveis, no sentido de informar-nos, mas também visando a imensa e única oportunidade de uma festa tão única e para nós, desta geração, inédita, certos de que não teremos mais outra oportunidade, quer seja de virada de século, muito menos de um milênio... Alguns poucos seres humanos terão esta oportunidade, pois viveram a virada de 1900 e agora presenciarão a virada de 2000... Milhares de palavras, discursos, representações e outras manifestações, preparativos, e compras mil, estão nos acercando nestes momentos.
Os registros históricos documentados pelos muitos Mestres das Artes, em suas épocas, documentaram semelhantes procedimentos humanos, basta conferirmos, por exemplo, a grande obra de Gentile da Fabriano, "A adoração dos Magos" de 1423, um artista italiano, muito experiente, que acumulou ao longo de suas muitas viagens uma bagagem grande de conceitos, teorias e informações. Pertencente a uma época de um gótico internacional, era mais de representar cenas profanas, mas neste painel em que retrata o nascimento de Cristo, deixa claro como o clássico, a Nobreza, a peregrinação, e o luxo, se sobrepõem à simplicidade e humildade Daquele que a nós veio como humilde Servo, o Deus encarnado em Homem. Mesmo assim, esta majestosa obra nos transporta, mesmo dentro de tamanha pompa e riqueza, a dirigir automaticamente nosso olhar aquele pequeno Menino, Jesus, no colo de sua Mãe. É a realidade vivida, é buscar na imensidão dos fatos e do cotidiano, o mais simples e singelo: Cristo o Rei.
Outra obra, desta vez menos suntuosa no contexto do cenário e seus figurantes, é a obra de Robert Campin (1425), que em tela de igual qualidade artística, "A Natividade", soube contar a história Deste que é o Messias, em sua imensa simplicidade e humildade. Um Menino tão pequeno, franzino, cercado de seus Pais, pastores, o povo e a Milícia Celeste, não como na obra anterior, em que tudo é pompa, mas na simplicidade de um ambiente que mostra uma manjedoura certamente abandonada por seu proprietário, um ambiente esquecido e afastado de tudo o que é do mundo.
Alguns anos mais tarde, Sandro Botticelli (1485) também pinta magnífica Obra sobre este tema, denominada "a adoração do Magos" e aí vamos novamente encontrar ostentação, riqueza, pompa. E o centro das atenções dos figurantes do cenário, voltado para Aquele que é de fato o centro de toda esta história: Cristo.
Biblicamente, esta história, ou a inspiração de todos os Artistas, está nos contos de Mateus ou de Lucas, mas destaco para reflexão Lucas, capítulo 2.
Lembrar-se deste momento tão sagrado é algo que não deveríamos apenas ter em painéis ou quadros famosos, ou ainda em poemas ou livros, nem tão pouco apenas em singelos e bem aceitos presentes.
Natal, os presentes, as festas, e mesmo as comemorações de um novo Ano, (mesmo que seja um novo milênio), as muitas luzes espalhadas nas cidades e vitrines, as alegrias reinantes em nossos corações, devem transportar cada um(a) a uma simples realidade, aquela realidade que se cuidadosamente observarmos nas pomposas obras citadas, é a realidade central, é o Cristo o Senhor e Salvador.
Toda esta beleza, alegria, luz e festas fazem parte dos anseios humanos, e sem dúvida é importante e salutar ter-se esta simbologia e estes motivadores que nos transportam a uma reflexão maior que é o verdadeiro sentido do Natal e o primordial motivador para uma nova época.
Martinho Lutero disse certa vez : "Jesus poderia nascer 1000 vezes em Belém, mas enquanto não nascer em seu coração você ainda não estará vivendo o Natal."
Sim, felizmente as Artes retrataram com preciosa exatidão esta mensagem natalina, quer na pompa ou na simplicidade, mas com a realidade que durante 2000 anos anuncia o Advento maior.
Tenhamos em nossos corações e mentes esta grandiosidade festiva de um Natal Feliz e de um Ano novo, um novo milênio sejam acima de tudo, a certeza de que prevalecem a fé, a esperança, a paz e o amor, e que toda ansiedade caótica é tamanhamente supérfula diante Daquele que em todas as cenas é o menor figurante, mas é o Maior dos maiores Mensageiros. Aquele que não veio promulgar leis, mas trazer ontem e hoje a Paz.
Com o mais carinhoso e Fraterno abraço e os melhores votos para todo este inesquecível momento Santo.
Walter.