Na matéria da semana passada, enfocamos as diferentes épocas, estilos, tendências e manifestações que se revelaram e continuam revelando através das artes.
Destacamos também que nestes novos tempos muitas manifestações e valores haverão de desabrochar e principalmente haverão de reconsiderar, através de uma releitura temática, muitas tendências ou recursos disponíveis às artes plásticas.
Diria até, que em todos os sentidos, está havendo uma "releitura de vida" pela própria humanidade...
Uma das questões que alavancam toda esta desenfreada busca de novos caminhos, e novas tendências é a ansiedade humana de encontrar novos horizontes e, porque não dizer, buscar a proximidade da perfeição, e a preocupação incontrolada de garantir seu espaço no mercado, frente a concorrência.
No nosso tema central, Arte, algo semelhante ocorre. Sempre estamos procurando novos meios de levar nossa ansiedade de comunicação ao espectador, e isto tem trazido, como já dissemos, alguns aspectos positivos, mas também lamentavelmente, alguns bastante negativos.
Encontramos no meio de tudo que se produz, quer visto a galeria de todos(as) que se engajam nesta bela tarefa, quer individualmente, obras que são verdadeiras "pérolas", aquelas que a custo nenhum, gostaríamos de nos desfazer; e em contra partida, vamos também (e não raro) produzir algumas que não nos satisfazem pessoalmente, nem ao mercado por não terem sido "bem resolvidas".
Mas cabe lembrar que toda, sim, toda obra, é eminentemente a manifestação sentimental do(a) autor(a) e portanto o esperado perfeccionismo está a meu ver, não no que se "pintou", mas no que se "produziu". É certamente polêmica esta questão se considerarmos o imenso acervo de cópias de obras de outros autores, o que discretamente chamamos de "copismo", ou quando nos apercebemos que a falta de informações sobre os diversos recursos técnicos da arte, prevalecem. Contudo não nos cabe aqui considerar ou julgar cada artista. Cabe sim, estimular a cada pessoa que se propões refletir sobre tal questão, que o perfeccionismo nas artes, ou mesmo em outros segmentos está na manifestação autêntica e sincera de quem a produz, procurando sempre expressar seu sentimento pessoal do tema ou de seu ato, mesmo em se tratando de uma releitura.
Mestres como Van Gogh e outros (para não listar aqui uma imensa galeria) não raras as vezes praticaram a "releitura" e fizeram belíssimas obras primas com a interpretação inconfundível da personalidade, enfim de seu sentimento, que acaba sendo sua "marca registrada".
A expressão sentimental e identidade do que foi produzido, é fortemente percebido no Impressionismo e em seguida no Expressionismo, dois momentos das artes onde estes valores foram sem dúvida marcantes e amplamente protagonizados.
Turner, um jovem talentoso do sec. XIX, é entre outros, um dos grandes mestres do "expressar-se pelo sentimento". Sem maiores comentários, deixou para nós um acervo que hoje podemos contemplar, do verdadeiro belo, onde consegue através do claro x escuro, e da mescla cromática e suas pinceladas inconfundíveis, fazer uma sutil harmonia entre o abstrato e o figurativo. Apenas como exemplo, recomendaria ver a obra "Veneza visto do 'Europa'" de 1843 (62x94) de J. Turner, para entender o que é este conceito de belo, sentimento e perfeição aliados à pincelada precisa.
Sem dúvida existem inúmeros trabalhos onde este conceito pode ser constatado, mas insisto que apenas o "retratismo fidedigno" não é necessariamente "a arte perfeita", por vez que o dito copismo pode tolir toda a criatividade do autor(a).
Uma obra perfeita é aquela em que se o tem domínio da técnica utilizada, aliada ao envolvimento total (entregar-se totalmente) com o tema ou proposta a que o(a) autor(a) se propõe.
Permitam-me encerrar com estas palavras para sua reflexão:
"É bom não encontrar a perfeição, anima-nos a buscá-la".
Cordial abraço