As épocas vão se sucedendo com tamanha velocidade que não nos damos conta de como as mudanças são marcantes na vida e como através das artes, os mestres conseguiram documentar em belíssimas obras estas variações e episódios quer sejam registros históricos, de tendências, de estilos, de diferentes técnicas artísticas, de expressões e manifestações.
Uma das classificações que aprecio está no livro "História da Pintura" de Wendy Beckett, que apresenta uma cronologia bastante detalhada sobre as diferentes épocas, a começar pelas pinturas rupestres datadas de 30000 a 8000 anos atrás, "nossos ancestrais paleolíticos", seguindo pelo mundo antigo; a arte primitiva e medieval; a Gótica; Renascença Italiana e a Setentrional; Barroco e Rococó; Neoclassicismo e Romantismo; o Impressionismo e o Expressionismo; e finalmente o Séc. XX., com uma imensa quantidade de informações que realmente nos permite uma aproximação bastante substancial com as artes.
A cronologia artística, é sem dúvida um registro muito grande não só das tendências e estilos de cada época, mas é um espelho perfeito das evoluções da humanidade, seus modos de vida, preconceitos, ritos e mitos, manifestações domésticas e políticas, registros históricos e científicos.
Seja como for, é de se observar que este veículo de comunicação, as artes, legou através dos tempos para nós e para o futuro, um acervo inigualável e felizmente duradouro. Estamos caminhando para um novo milênio, e como em todas as épocas que se antecederam, sempre que houve uma virada de século, ou de milênio, a expectativa dos seres humanos era muito grande, muito ansiosa, e estressante. Basta conferirmos os livros de História ou a Bíblia, ou vermos as Obras pintadas no passado, principalmente as dos séculos VI a XVI.
Certamente os momentos que estamos vivendo, na espera deste final de ano, uma virada de milênio, os 500 anos de nosso País, a evolução super acelerada da comunicação e das tendências sociais, com aproximações e globalizações, levam os seres humanos a uma ansiedade ainda maior, numa corrida desenfreada contra o tempo, e contra tudo o que já se tem feito, buscando cada vez mais, sob a mira da competitividade, realizar "coisas nunca dantes experimentadas", que de certa forma até traz em si as oportunidades de atualização, revisão e absoluta modernização, mas que também pode trazer a público alguns absurdos de conseqüências incontroláveis (basta ler as manchetes dos jornais).
Nos meios artísticos, não é diferente. Já vamos encontrar uma manifestação artística renovadora, arrojada, e porque não dizer, revendo todo seu acervo, num afã até de releitura e inovação temática e técnicas mais apuradas, como por exemplo "as pinturas virtuais", as obras realizadas através da computação gráfica (a propósito muito discutida ainda), e as instalações com diferentes materiais.
Fato é que as artes vão caminhando com os tempos, não em passos seguidores, como no passado (antes do Impressionismo) quando serviam para documentar "o que já havia ocorrido". Hoje, continua, reafirmo, caminhando com os tempos, mas num constante estar "adiante dos tempos" buscando revelar os sentimentos e os desafios de materiais e técnicas, muito além da imaginação do ser humano comum.
A busca de novos tempos, o novo milênio, certamente trará uma bagagem surpreendentemente inovadora, mas creio ser de bom tamanho para nós, ter certa moderação e preocupar-se também com a importantíssima função das artes que é a comunicação e o registro dos fatos (quaisquer que sejam), esquivando-se da agressividade e das obras impensadas. Aguardemos este novo tempo, com serenidade e sobre tudo com a certeza de que as artes haverão de captar mais uma vez todas as manifestações contemporâneas que acontecerão. Cabe portanto a cada um de nós, artistas e espectadores, continuar na certeza de que "viver a arte é viver a própria história da humanidade".
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Até breve.