A AQUARELA CONTEMPORÂNEA
W.L. Berner / Orientador de Artes

Entre as diferentes técnicas artísticas, uma das que mais se destacam quanto à sutileza, transparência, leveza, e sem dúvida, beleza, é a aquarela.

Seu suporte é o papel especialmente desenvolvido. Seus pigmentos bem como as cores primárias, diferem e se destacam da escala cromática das "pigmento opacas" (assim classificadas as técnicas de cobertura mais espessa, como óleo, acrílico, e têmperas). Lamentavelmente, devido ao suporte (papel), esta técnica não é muito aceita no mercado convencional, mas tem grande admiração pelos amantes das Artes, principalmente na Europa.

Os principais cuidados que se devem tomar com estas obras, estão exatamente no papel, que deve ser isento de acidez e de boa espessura e gramatura, os pigmentos próprios, o emolduramento, e quando possível, mantê-la longe de irradiações solares ou iluminações artificiais diretas.

Como dito, os pigmentos da aquarela são exclusivos, sua composição difere de qualquer outra técnica, o que lhe confere a leveza e transparência.

O advento das tintas solúveis em água, em especial o acrílico, permite uma pintura sobre papel, também com certa transparência, e com características muito semelhantes à aquarela tradicional, todavia não se devem confundi-las.

Aparte das intervenções e desafios de alguns artistas qualificados, ou mesmo técnicas elaboradas ou experimentadas, tem-se encontrado, não raro, a combinação de acrílico, aquarela e guache, numa mesma obra, o que não a desqualifica, mas descaracteriza a dita "aquarela clássica".

Importante frisar que as três primárias são diferentes, por vez que são o cian, o magenta e o amarelo, o que certamente produz consequentemente combinações cromáticas de cores secundárias bem diversas das cores pigmento opacas.

Obras clássicas, acadêmicas, impressionistas e abstratas, são largamente desenvolvidas ou estudadas, principalmente pela simplicidade e praticidade de pintura ao ar livre ou em ateliê e a sua secagem facilitada, alem é claro, de permitir um esboço rápido de uma cena única.

Mestres como Cezanne, são inconfundíveis, e este Mestre em especial, soube com relevada propriedade expressar através da aquarela as sensações e captar bem as cores dos muitos temas por ele interpretados, transmitindo ao espectador a realidade da comunicação sensitiva através das cores, e do traço sutil e leve, nunca exagerando a informação pretendida.

Neste sentido, Eugène Delacroix ( 1847) disse certa vez que "o belo é certamente o encontro dos 'mensuráveis' efeitos". Este pensamento define bem os trabalhos de Cezanne, mas mostram também que na aquarela livre, solta, e o "acaso", tão defendido por Fayga Ostrover, é intencionalmente provocado pela interação e harmonia controlada ou casual entre autor, papel, tinta e a água.

É certamente um devaneio repleto de mistérios e belíssimas surpresas que vão se acumulando ao desenrolar da obra em perfeita sintonia de pigmento e ótica (luz). Em recente exposição de Fayga Ostrover no MNBA / RJ (nov./dez.1999), podemos contemplar e admirar toda a beleza desta técnica em obras bastante abstratas, mas que estão ricamente interpretadas com romantismo, poesia, musicalidade e profundo sentimento humano, particularidades marcantes desta grande Artista.

Curioso é constatar que a aquarela se presta também para pinturas sobre madeira, como encontramos em diversos trabalhos (móveis principalmente) nos Alpes europeus. Curioso também é conhecer Artistas que pintam a aquarela sobre o papel em posição vertical e "colados" em um chassi (moldura de madeira), quando vias de regra é um trabalho de prancheta (uma tábua ou placa) ligeiramente inclinada.

A aquarela é portanto, uma forma de expressão artística tão sutil que nos permite levar a um suporte tão frágil, o belo, o singelo, o romântico, da vida, do viver.

Até breve.


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