Como apreciar uma Obra de arte
W.L. Berner / Orientador de Artes

Como é fantástico observar que as obras de arte em geral, são tão diversificadas e como tocam ao/à espectador/a de maneira diferente. Isto quer dizer que uma mesma obra, pode comover, sensibilizar, emocionar, provocar repulsa, rejeição, indiferença. Enfim, como já o vimos em comentários anteriores, uma obra "comunica" ao espectador todo um conteúdo e energia, que o artista conscientemente ou não, traduz em sua obra.

Todavia, existem determinadas informações às quais o/a espectador/a deve estar atento/a para poder aproveitar ao máximo a mensagem da obra.

As artes, principalmente as pinturas anteriores ao impressionismo, possuem em geral um conteúdo histórico, bíblico ou até mitológico, um cenário do cotidiano, uma mensagem política ou até contestatória, a miséria e outros temas...

As pinturas impressionistas e no pós-impressionismo, assim como no expressionismo, e nas artes abstratas, sente-se maior ênfase no "sentimento" da cor, da psicologia e filosofia, propostas pelo/a seu/sua autor/a

Independente das tendências, ou das épocas, encontramos em alguns estudos, informações de como se pode apreciar uma obra, seja ela acadêmica ou abstrata (entendendo-se aqui uma separação mais simplista da imensa classificação de "tendências artísticas"), e destacamos nesta matéria algumas dicas, no mínimo interessantes a serem consideradas: Em primeiro lugar, para se poder ter uma boa apreciação , é preciso que se esteja diante da obra original, o que nem sempre é possível, principalmente quando se tratam de nomes consagrados. Mas é bom e recomendável, o hábito de visitar os Museus e Galerias de Arte. Lembro aos petropolitanos, que temos belíssimos acervos em nossa Cidade, não precisando acrescentar qualquer comentário por exemplo, quanto ao Museu Imperial, senão a "lembrança" de que este Museu, de nível internacional, mantém um acervo de obras de arte que vai além daquelas obras sobre a família Imperial. Um acervo sobre cenários de nosso Brasil, e recantos belíssimos, e retratos de época.

Observe inicialmente o tema representado na tela, pois com certeza, ontem (principalmente) como hoje, o Artista sabe que sua obra será mensageira do que ele/a pesquisou e desenvolveu intensamente. Um pouco de informações históricas, bíblicas, políticas, ou de época em que aquela obra foi executada, auxiliam grandemente.

A técnica adotada também é outra informação importante, pois através dela se percebe a maturidade artística.

Assim, é comum ser citado junto a obra, qual o material com que foi pintado (óleo, acrílico, aquarela, encáustica, têmpera, etc.) e qual o suporte (tela, madeira, papel, etc.), seguido das dimensões do suporte (pela ordem : altura x comprimento). Sem dúvida que questões técnicas como simbolismo, cor, harmonia, equilíbrio temático, luz (refiro-me às normas de luz aplicadas na tela), as questões de perspectiva linear e perspectiva aérea, assim como profundidade e valores tonais, são igualmente importantes. Não finalmente, mas com grande importância, é deixar-se "sensibilizar" pela obra, quer isto lhe dê prazer, euforia, alegria, paixão, admiração, ou desprezo, indiferença, descaso, insatisfação, ou qualquer outro sentimento.

O importante em qualquer obra (sim, qualquer uma), é que esta tenha o poder do "êxtase contemplativo", e não apenas do "decorativo...", do "estar sem ser" Tecnicamente é bom apreciar uma obra à uma distância de três vezes a sua diagonal, para ter-se a melhor captação ótica e plástica em nossa retina e consequentemente o bom processamento em nosso cérebro. Mas não deixe de se aproximar ao máximo ( o quanto o for permitido) para poder ver também as questões de estrutura, plasticidade, envernizamento, pinceladas e outros detalhes curiosos, como por exemplo as combinações cromáticas que Van Gogh aplicou tão sabiamente em seus trabalhos.

Mas sem querer "tocar" na obra e sem fotografá-la, simplesmente contemplando-a ... Apreciar uma boa obra, é um verdadeiro colírio para os olhos, e um mar imenso de conteúdo cultural.

Ver sem olhar é como tomar um bom vinho sem degustá-lo.


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