A força do desenho e dos efeitos na Arte
W.L. Berner / Orientador de Artes

A criatividade é fator preponderante para uma boa arte, além é claro, dos conhecimentos técnicos necessários para que se possa ter de fato o domínio do trabalho em execução. Não obstante, algumas experiências pessoais, e conhecimentos técnicos de certos recursos, contribuem grandemente para provocar efeitos e mesmo reações no espectador. Em síntese, através da própria obra.

Disse certa vez a Artista Fayga Ostrover: "O homem é um ser criativo naturalmente, espontaneamente, e não excepcionalmente".

A ilusão ótica, quer das cores, como a geométrica, podem trazer à obra uma informação errônea do fato real, uma distorção cromática, e uma aberração dos paralelismos, que também podem ser propositais, e quando dominados, úteis ao que se propõe transmitir. Estes fatos são normalmente gerados pelo uso indisciplinado de cores, traços, e principalmente pelas distorções óticas de uma máquina fotográfica, quando este recurso é utilizado nas artes plásticas.

Merecem portanto nossa atenção e criatividade, pois assim como podem gerar aberrações, podem também nos ser ferramenta útil para dar à obra a autenticidade máxima da nossa percepção, mensagem e sentimentos.

Um exemplo bastante marcante neste sentido é a famosa obra de Leonardo Da Vinci, a "Monna Lisa"(Gioconda) , tão apreciada pelo sorriso vibrante, e leveza de postura, quando estes "sentimentos" são efeitos plásticos, cromáticos e óticos que o grande Artista aplicou sobre a obra, com muita propriedade e domínio.

Outros exemplos podem ser apreciados, principalmente nas obras de grandes Mestres como "Tristeza" de Van Gogh, retângulos de Mondrian, ou "Enterro na rede" de Portinari, na OP-ART, ou na Gestalt (escola psicológica).

A psicologia da cor é, e sempre foi, uma realidade na arte. É tão forte que se escreveram verdadeiros tratados sobre a cor, sua influencia e principalmente sua comunicação. Este tema é tão vasto e tão rico que feliz é o artista que tem o domínio correto da cor e pode expressar-se através dela com toda a energia quer plástica ou ótica, e melhor ainda, se conseguir a combinação disto.

O Mestre da cor, assim chamado, Henry Matisse, soube valorizar estas questões com propriedade. Também o escritor alemão Goethe, foi um mestre da cor, assim como o brasileiro Israel Pedrosa, que provaram a força da cor, ao ponto de "ver a cor inexistente". Uma realidade cientificamente comprovada.

O estudos de sensação da cor que fiz numa pesquisa com alguns colegas, e baseado também em Ingrid Riedel psicóloga alemã que muito se dedicou ao estudo da influência da cor sobre a pessoa, revelou esta força comunicativa e sensitiva que cada um(uma) expressa através da cor e do traço.

Os Artistas de uma maneira geral que dominam a cor, tem a capacidade de atingir o sentimento de quem aprecia a sua obra. Isto é, mexe com a emoção do espectador, pela forca cromática.

Mas não apenas esta força pode causar reações interessantes, mas o traço, o desenho em si, pode provocar verdadeiras ilusões que também interferem nos sentimentos e a percepção do espectador.

Para reforçar esta matéria, é interessante observar como na Comunicação Visual, aqueles profissionais se utilizam amplamente destes recursos em suas propagandas, para provocar satisfação, desejo e vontade de compra...

Na realidade, o verdadeiro domínio da cor, da linha, da pincelada, do preparo da tela, são indispensáveis para que a obra final seja bem resolvida, tenha vida duradoura, e comunique plenamente.

Este tema, é fundamentalmente técnico em relação a seus resultados, no entanto têm contribuído para uma falsa ilusão perceptiva ou mesmo levando certas obras à categoria de "fantasmóricas", que disto nada têm...(veja Velasques)

Interessante também ao observar uma obra, é conhecer mais de perto o autor e sua história, sua trajetória artística para melhor entender e avaliar o trabalho contemplado, sem que se a discrimine ou a enalteça injustamente.

A realidade artística procura sempre aproximar-se da realidade de seu/sua autor(a) e desta forma chegar-se ao espectador da maneira mais sutil possível que o(a) Artista deseja para atingir seus desejos comunicativos, através de sua obra.


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