Observando-se as diversas fases da História da Arte, em especial no conteúdo da comunicação, verificamos que ao longo de milhares de anos, esta foi, e será sempre, uma excelente via para retratar episódios da humanidade, principalmente aquelas pinturas que antecederam ao impressionismo, isto porque somente no século XIX, surge a máquina fotográfica como principal instrumento de registros dos fatos históricos.
Mesmo assim, a pintura continuou sendo a mais fiel maneira de se documentar os "caminhos da vida", quer sejam os passos cotidianos, quer sejam forças de expressão e de comunicação plástica.
Os Artistas de então, tinham como "árdua tarefa" pintar as cenas do dia a dia de nossos antepassados, mas eram também intérpretes das fábulas, lendas ou de sonhos, por vezes visionários, que encontravam principalmente em documentos, nos contos herdados ou verbalmente transmitidos, e na própria Bíblia.
O romantismo tanto quanto as pinturas de cenas mais lendárias, sempre enfatizaram o sentimento interior daquele a quem se encomendava a obra, sem que este manifestasse qualquer receio quanto a preconceitos, e ciente de que poderia ser até perseguido, morto ou excomungado.
Nesta época em que se enfatiza a vida e obra do grande escritor, poeta (e cientista) alemão, Johan Wolfgang Goethe, (1749-1832), cabe salientar que ele também foi sem dúvida, um contribuinte importante para a história da própria arte, uma vez que contradisse as leis de Newton no tocante à teoria das cores, e escreveu seu "Tratado dos ensinamentos da cor" raramente interpretado graças ao seu vasto conteúdo científico, buscando demonstrar que o espectro cromático não está fundamentado em sete cores, mas em apenas seis cores, alem de despertar entre seus seguidores a curiosa e surpreendente sensação ótica da "cor inexistente".
Os Mestres da Arte, buscando todos os recursos ao seu alcance, fazem desta "interpretação ótico-plástica" uma ferramenta sem limites em suas obras. Não somente os recursos disponíveis os levava à expressão na tela, mas principalmente a interpretação temática era, e continua sendo, o fator preponderante para trazer até o espectador o conteúdo da mensagem.
É interessante observar, como os apontamentos sobre a história da arte, os livros especializados, sempre fixam uma cronologia que vincula a arte à vida, mas principalmente aos aspectos relacionados à forma interpretativa de cada autor.
Em recente entrevista o Papa João Paulo II, ao analisar as questões apocalípticas, tão discutidas nos últimos meses, faz uma alusão às obras de Tintureto (sec.16) e suas fantásticas interpretações divinais, e opostamente à Bosch quanto a suas obras visionárias. Diz o Papa: " O céu não tem nuvens e não é como Tintureto pintava. O inferno tampouco é povoado pelas criaturas bizarras dos quadros de Bosch. Não são lugares, mas estados de espírito...".
Comenta ainda: "... O céu que esperamos alcançar não é uma idéia abstrata, nem um lugar físico lá no meio das nuvens, mas uma relação viva e pessoal com a Santíssima Trindade..."
À parte das questões religiosas abordadas, de tão importantes e preciosas palavras, estas interpretações, querem mostrar bem o quanto a Arte está vivamente responsável pelo registro pictórico de tudo , e como podemos através dela enriquecer nossa vida buscando nos quadros a contemplação sobre o passado e seus ensinamentos...
A arte, é um instrumento visual de importância inigualável, como disse o Papa Gregório Magno (sec. VI d.C) : "A pintura pode fazer pelo analfabeto o que a escrita faz pelos que sabem ler" É bom refletir nisto...
Cabe ainda neste sentido, e em atenção a estas pessoas tão dignas de admiração e respeito, abrilhantar esta semana com as palavras de Goethe: "Todos os dias deveríamos ler um bom poema, ouvir uma linda canção, contemplar um belo quadro e dizer algumas bonitas palavras"
Tenham uma boa semana, saudações artísticas.