O Valor da expressão artística
Coluna Cultural de W.L. Berner / Orientador de Artes

Estamos na nossa terceira edição de um tema que parece não ter fim: "arte e criatividade" . E cada vez mais vejo que este tema não tem limites, principalmente quando vamos verificar os conceitos formados pela grande maioria dos Mestres deste veículo de comunicação chamada "tela".

Na semana que passou tive oportunidade de levar um grupo de colegas e amigos(as) ao Museu de Arte Moderna, MAM, para contemplarmos a tão esperada exposição de Picasso, além de outras exposições interessantes, com destaque para a do Designer Tanaka, e da Atriz Fernanda Montenegro.

A coleção apresentada está longe do acervo deste Mestre, mas o que se pode ver ( gravuras, desenhos, pinturas e esculturas) , e ler, leva o espectador a reflexão imediata sobre o valor que um Artista desta envergadura dá ao seu desprendimento e talento, do seu modo de viver e entregar-se totalmente à arte.

É interessante notar que aos seus 15 anos, em 1896/97, pinta sua primeira grande obra (acadêmica ainda) a conhecida "La primeira Comuñon". Picasso, um permanente irrequieto, ama muito, mas varia em larga escala, suas interpretações artísticas, passando do acadêmico, para uma pintura mais agressiva. Fases como a "fase azul" e a "fase rosa" (1900 ~ 1904 ), desenhos que expressam a precisão da liberdade de seus traços, principalmente quando o faz com um só agir, sem tirar o lápis do papel, figuras humanas ou animais. Nas gravuras, quando com seu "buril" (ferramenta para gravação em chapa de metal), arranca da chapa traços precisos a serem valorizados pela "água forte" ou pela "água tinta". Traços igualmente fortes e marcantes em seus pastéis, guaches, e quantas outras técnicas em que ele se deleitava ao criar.

Quando Picasso diz "...Para mim um quadro é uma soma de destruições" , paramos para pensar no verdadeiro significado destas palavras. Notamos que em primeiro lugar a "construção" de um quadro é na realidade uma sobreposição de camadas de tintas, "destruindo" ou "escondendo" as camadas antecedentes..., sim, principalmente quando no domínio da técnica, sabemos que "adicionar e subtrair" camadas de tinta sobre a tela é o "ir e vir" das decisões e resoluções até o completo desfecho ou satisfação de seu, sua , autor(a) . É o prazer de cada um de nós em atingir a magnitude da criatividade e de conseguir finalmente colocar na tela todo nosso sentimento interior.

Esta expressão dele tem também outras conotações, até ansiedades, se vamos verificar a privacidade deste Artista, ou se fizermos analogia com outras de suas frases como por exemplo:

"A Arte é uma mentira que nos faz compreender a verdade".

Pois é, retratar o sentimento é utilizar-se de traços e expressões irreais, surrealistas, expressionistas, ou até as pinturas mais recentes de vanguarda, para verdadeiramente colocar com poucas pinceladas, milhares de palavras, milhares de sentimentos diante do espectador.

Entender portanto o valor da expressão artística, é antes de tudo, entender o(a) próprio autor(a) , isto porque é imprescindível conhecer-se o conteúdo da mensagem que a pessoa deseja externar.

Refiro-me aqui a todas as categorias, quer dos mais remotos Autores (sec 06)..., ou como por exemplo Hyeronimus Bosch (séc.14), indo pelo mundo das artes até aos nossos tempos, onde sempre vamos sentir e ver estas energias que a expressão artística quer protagonizar.

Este valor da expressão artística que hoje está sendo enfatizada, quer despertar em cada um(a) a realidade de uma obra pendurada na parede, ..."não apenas como elemento decorativo, mas essencialmente como elemento de comunicação ou até de rebeldia e formadora de opinião" . Uma obra de arte é portanto, como Picasso e outros tantos defendem, com razão, o retrato pintado da alma... é também, e é bom não se esquecer disto, o caminho mais curo e mais sublime de aproximar o homem de Deus, do Criador Maior. E sem dúvida, dentro deste enfoque cabe dizer que arte é compreensão, é comunhão com Deus e a Natureza.

A contemplação da obra de arte, é um deleite e um prazer que nós humanos temos graciosamente, portanto apreciar a boa arte transcende a qualquer crítica destrutiva ou sem embasamento técnico.

Aprecie a boa arte na mesma intensidade que apreciar a própria vida, ou aquele vinho especial.

Até a próxima oportunidade, com as queridas saudações artísticas.


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