Mensagens e Pensamentos
Momento Vazio

Cebolas -  Acrílica s. tela 55x20cm (Sl 27,7-11) Senhor, escuta o grito de meu apelo, tem piedade e responde-me! A ti fala meu coração, meus olhos te procuram; eu busco tua face, Senhor. Não me ocultes tua face nem rechaces com ira teu servo, tu que és meu amparo! Não me rejeites, não me abandones, Deus de minha salvação! Se meu pai e minha mãe me abandonarem, o Senhor me acolherá. Mostra-me, Senhor, o caminho e conduze-me pela vereda segura, por causa dos que se emboscaram contra mim!

Nasce uma criança, cresce feliz desfrutando de sua infantilidade, quem sabe até despreocupada com a vida. Torna-se jovem, e lá se vai aquele pimpolho que agora pensa e vislumbra seu futuro, com olhos ávidos por todas as oportunidades que a vida lhe oferece. Como mudam as situações! Como são "páginas viradas" as etapas da vida, sem que se dê conta de que o passado morre para o presente, e é esquecido no futuro. Ficam apenas memórias, os aprendizados acumulados, as "marcas das realizações vividas".

Esta dita "cronologia irreversível" é comum a todos e a todas; ninguém escapa, nem mesmo aquelas pessoas cujos feitos em vida tendem a perpetualizar-se. No entanto, é comum que a memória do passado seja desperto a todo instante, e traga de volta a lembrança daqueles tempos ou daquelas pessoas que não voltam mais. Saudosismo? Creio que não seria a palavra mais adequada a este pensamento. A memória do passado enriquece o florescimento do futuro. A memória do passado é também responsável para que possamos continuar na busca das razões que constituem a vida presente, por mais amena ou conturbada seja a situação em exercício. Muitas vezes escapa ao entendimento os passos que se está dando. Fogem até ao controle pessoal e questionamos "porque isto ou aquilo". Não dá para entender...

Vem o fatídico "vazio". A memória atua então como uma "arma do passado" a apontar para o presente, em constante cobrança para as atitudes cotidianas. Que cruz! Dizemos logo. Armas geram crimes, instrumentos levam à paz. Sim, em outras reflexões este pensamento tem uma reação direta. Nesta abordagem, no entanto, quer remeter à busca dos valores guardados na memória. Em outras palavras: Os arquivos do passado podem enriquecer e abrilhantar o presente. São os verdadeiros instrumentos em favor de um viver rico em experiências, pronto a desfrutar de seus acumulados "erros e acertos", para dar o verdadeiro sentido à vida em comunhão. Conquanto martirizar-se com as seqüelas do passado, é transformar esta "bagagem memorial" em armas contra a riqueza do ser. As memórias acumuladas pela própria vivência, ou aquelas compartilhadas com outras pessoas, deixam saudades. Em nossas vidas passam pérolas, as pérolas do colar da vida. Algumas, porém são especiais, merecem destaque maior, merecem ser compartilhadas. Pérolas humanas, experiências que amadurecem. Estas "pérolas" podem e devem ser cultivadas para que o colar da vida não seja interrompido. Pérolas grandes ou pequenas, não importa. São as preciosidades que fazem a história da cada ser vivente. É bom saber que neste colar, que é o fio da nossa vida, existem aquelas pérolas especiais. O memorial da decisão, da virtude, da pessoa amada, da pessoa querida. O memorial das atitudes "bem resolvidas", que certamente um dia, nos haverão de incluir, se Deus o permitir, na memória dos que ficaram.

Pois bem, e se memória nenhuma restar; se de todo o passado se apagar, ainda assim não haverá de verter lágrimas, na medida em que se tem a certeza que o Criador jamais haverá de Se esquecer de Sua criatura.

E se uma só lágrima rolar, pela saudade, pelo arrependimento; pela paixão ou dor, que esta gotinha, mesmo que no plural, seja transformada em "pérola do colar da vida".

W.L.Berner



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