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A mão de Deus
Como disse certa vez um professor; "a Igreja tem três dimensões: a histórica; a humana; a espiritual. Na dimensão histórica vemos que coisas passam; coisas permanecem; coisas desaparecem, e novas surgirão". A lei da Vida; a lei da razão.
Todas as vidas concedidas por Deus são, em síntese, assim mesmo: surgem, crescem, acrescem e decrescem, estabilizam, consolidam, desafiam, e finalmente desaparecem.
Feliz aquela pessoa que pode administrar o Dom recebido por Deus com sabedoria e propriedade, e que sabe conduzir a sua vida até o fim de sua dimensão corporal, com a certeza de que um dia foi, assim como será, e tal qual o é.
Não é difícil entender esta afirmação quando se tem consciência de que cada pessoa, independentemente de sua situação física, cultural ou religiosa, é uma graça de Deus, e Dele recebe o dom da vida, e uma "tarefa" a ser cumprida nesta dita "dimensão corporal".
Muitas vezes nos perguntamos "porque isto justamente comigo?". Admitimos tudo para com "o outro", e quando somos desafiados, ou confrontados, vem a pergunta "porque comigo?".
Certa feita, quando num grupo considerávamos esta questão, um dos amigos, disse:
Lembro-me de Victor Frankl, um médico que ao longo de sua carreira, por sinal, muito penosa, buscou em tudo dar o "verdadeiro sentido a vida", não fazendo das atrocidades e atropelos, um pesadelo, nem masoquismo, mas simplesmente encontrando um meio de administrar estes obstáculos e, frente a eles, encontrar o verdadeiro sentido para sua vida, e assim conduzi-la com dignidade, para alcançar sua meta na vida, em favor do todo e todos.
Esta vida tem sempre seus momentos, como está em Eclesiastes 3, 1-8: (Vs. 1 -) "Tudo tem seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu...". Nascemos, crescemos e morremos. Isto é certo. Mas em cada momento desta vida há um determinado propósito de "ser", como bem define a palavra alemã: "dasein", estar aí, existir...
Quer na tenra infância, na juventude, na idade adulta ou na terceira idade, sempre há um sentido existencial, "um papel a exercer" em cada momento. Mesmo em se estando já próximo ao que chamamos de "momento terminal", próximo à morte, mesmo ali desempenhamos uma função primordial nos planos de Deus para a Vida. Explico: Recentemente estive visitando uma senhora querida, de idade avançada, num hospital. Pude dizer para ela, com absoluta segurança: "Minha querida, a Senhora está exercendo grande amor nesta fase de sua vida, aqui neste hospital. Está mobilizando entre seus parentes e amigos, lá fora, uma verdadeira revisão de vida e que, pela força deste seu amor, estão se re-conhecendo e se re-amando. Alegre-se porque seu 'silêncio na humildade' e resignação, está em verdade, operando grandes milagres". Poucas palavras fazem grandes milagres.
Não é um discurso de consolo, mas antes de tudo uma reflexão que remete à pergunta: "para que isto agora comigo?".
E quando não conseguimos "entender" mais nada, quando pensamos que "nada mais faz sentido", é bom lembrar que para cada sol poente existe um sol nascente, no mesmo espaço ou local: Pintei certa vez um quadro de uma montanha muito alta de minha cidade, a partir do extremo oposto da vista mais comum. Portanto esta montanha, do meu ponto de vista, estava a leste, isto é: lá nascia o sol... Do outro lado desta montanha, do ângulo em que ela é mais conhecida, ela está no oriente, portanto o sol poente. Isto nos traz a certeza de que "o mesmo sol que se põe, em seguida nasce radiante".
Equivale dizer que a Vida em si é perene. O que muda na verdade, são os momentos em que vivemos ou que presenciamos.
Mas em todos estes momentos, qualquer que seja "o ângulo a ser pintado", a luz nasce e se põe... É o ciclo da Vida.
A virtude em viver a vida que Deus nos confiou é saber administrá-la na certeza do amor divino e compartilhar este amor com todos que conosco a estão convivendo.
Sim, vale a pena viver cada momento na vida, seja este momento leve ou pesado: É momento que Deus nos confia a missão.
(Mt 11,28-30) "Vinde a mim vós todos, que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para vossas almas. Pois meu jugo é suave e meu peso é leve".
W.L.Berner - 09.2002
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