Mensagens e Pensamentos
O Essencial

Escultura em Moledo "Pouco é necessário, ou mesmo uma só cousa" (Lc 10, 38-42)

Os tempos não mudaram, tudo continua como a milhares de anos na vida do ser humano. Sempre preocupado com o desejo de agradar e, quando é no sentido lucrativo, preocupado em "tirar o máximo da ocasião". Este comportamento reflete insegurança, apelação, medo.

A nossa libertação espiritual reside exatamente em saber que somos amados por Deus, e que nossa fé é completa na medida em que confiamos tudo a Ele incondicionalmente.

Isto é uma descoberta, um desvendar, maravilhoso. Não temos que ter medo, mas temer e amar a Deus. A intranqüilidade espiritual é o espelho exato do grande amor Divino, porque se está em "conflito com o material". O conflito com aquilo que nos perturba. "Aceitar a sombra", é um desafio. Nietzsche diz: "o que não nos mata, nos fortifica". É mais ou menos o que o Ap. Paulo quer dizer com "quando estou fraco é que sou forte". Marta e Maria também são dois exemplos do "medo e certeza". Querer só fazer o melhor é uma fuga, não nos permite gozar (viver) o melhor.

Gozar e viver o melhor, é exatamente se dar tempo para ouvir e viver o Senhor, é entender que as coisas materiais devem ser conseqüência do meu Ser; e não o contrario, onde o meu Ser é conseqüência do meu Ter. Entende? Vale muito mais Ser, como efetivamente somos, do que Ter e não Ser autêntico. É mais importante que nos firmemos em Deus e numa só fé, do que vagar sem rumo.

Marta e Maria, duas personagens na vida de Cristo. Marta optou pelo "ter". Ter uma casa arrumada, comida, bens...mesmo que "destinados" a servir bem ao Mestre. Reclama, mostra bem a "pessoa insatisfeita e ingrata", esquece-se do mais importante: o essencial. Maria, não estava preocupada em tantos "detalhes", desejava apenas ser. Ser ouvinte do Mestre...

Ser ouvinte do Mestre é antes de tudo, viver a Palavra e conviver esta experiência com quem ainda não a vive. A Palavra precisa ser vivida para poder ser compartilhada.

Os afazeres do dia-a-dia, para a melhor acolhida, (acolhida de pessoas, amigos, trabalho, aparências, status...) podem tirar nossa grande oportunidade de conhecer a fé verdadeira. Semelhante a estes "afazeres" são nossos pesos e fardos da vida, nosso zelo excessivo com as aparências exteriores, nossa preocupação descontrolada e até obsessiva com os "arredores", exatamente aqueles que nos cegam e não nos deixam compartilhar da alegria de estar com Cristo.

Não precisamos "arrastar nossas cruzes" pesadas sozinho. Temos Cristo a nos aliviar e os (verdadeiros) amigos a compartilhar experiências e que podem fazer de nossa Cruz um exemplo de vida, construtivo e alegre. Qualquer cruz que arrastada é dolorosa, mas se compartilhada, "o fardo fica leve". Um belo exemplo (autor desconhecido): Dois operários estavam quebrando pedras para construir uma Igreja. Ao serem perguntados o que faziam, o primeiro respondeu reclamando: "estou quebrando pedras", o segundo, muito feliz disse: "estou construindo uma Igreja".

Vamos "construir" a nossa Fé interior e deixar que outros fiquem a "quebrar pedras".

W.L.Berner - setembro 2001



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