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Mensagens e Pensamentos Um Diálogo com a Flor 2
Da primeira vez, e não a única nem a última vez, em que pude encantar-me com a bela Natureza que Deus colocou ao nosso dispor, certamente não imaginava a extensão daquele mundo que começava a se desvendar aos meus olhos. Se bem me lembro, estava sentado embaixo de uma amoreira, uma frondosa árvore de pequenos frutos de minha predileção; lá pelos meus seis anos de idade.
Não sei porque, "só Deus sabe", mas lembro-me que estava bastante triste, e choroso.
Os anos se passaram, e este menino cresceu; esta árvore se perdeu, porque teve que "dar lugar" ao concreto da modernidade...
Os dias continuaram; mudaram-se os costumes. Mudamos de cidade, de ambiente, de hábitos, até de consistência familiar... Mãe se foi... Pai faleceu, e o menino, ainda menino, crescia sem saber "porque". Porque aquela árvore tão querida não mais estava lá? Porque pai e mãe não existiam mais? Porque crescer sem querer "crescer"?...
Anos mais tarde, já pelos quinze, subi uma montanha, o Alcobaça, e tive a primeira sensação de quão generoso Deus foi a "Adamah", o Adão de então. Que Paraíso Ele dispôs para o homem! Que mundo belo e rico em cores e flores; em aromas e sabores. Sim, vi naquela escalada, talvez a primeira "florzinha" que me "acenava" solitária, perdida na encosta íngreme. De pronto me lembro daquele menino solitário que chorava ao pé da amoreira, cujo coraçãozinho não sabia expressar sua angústia solitária ao preço da "vida" moderna, ao "preço da família desmontada".
Ah! Deus o fez para o homem, a bem da alegria, da paz, da comunicação:
Este pensamento, escrito agora, já na idade "amadurecida" daquele então menino de seis anos, quer retomar os valores da "colheita para replantar a vida, ou a poda que leva o belo para a morte". Sim, se colhemos e replantamos, semeamos e multiplicamos a beleza que Deus nos confiou, e permitimos que outros compartilhem do belo que certamente não teriam acesso. Se no entanto apenas podamos para satisfazer os olhos naquele curto espaço de tempo, aí estamos promovendo o egoísmo, a morte.
O "diálogo com a Flor", é como um diálogo da Alma. É Deus "conversando conosco" através de Sua Majestade: o Belo, pois Ele é "B-Ele-Za" (Beleza= o lugar, onde Deus brilha). Sim, através do sentimento e com os "olhos da alma" podemos ver, enxergar e sentir não só as flores, as árvores, os animais; mas principalmente podemos ver e enxergar aquele menino debaixo da Amoreira, que talvez chorasse para ser "visto e ouvido", talvez apenas um olhar carinhoso lhe falaria à Alma mais que mil palavras; e quem sabe, se tal acontecesse, a Amoreira ainda estaria lá hoje... seus pais teriam convivido mais tempo em família... o mundo teria mais chances de ver e enxergar o belo com os olhos da alma, e dialogar mais consigo mesmo, com seus semelhantes e com Deus.
"Decidi, olhei para ela, carinhosamente, tal como o grande poeta Goethe, e por desígnio do Grande Criador, '...e tirei-a do chão com todas as raízes / e a conduzi ao jardim junto do lar'."
Sim, para que no seu novo "lar" possa viver em radiante beleza, não mais passando despercebida por entre toscos paus, mas alegrando a muitos, na função que lhe foi conferida por seu Criador, a alegrar e "dialogar" com quem a vê". Dialogar com a emoção, sentimento, alegria, na certeza de que outras "irmãzinhas" que se multiplicam, estão lá no alto do Alcobaça a espera de serem vistas; mas ela, sim, ela pode pelo fato de ter sido encontrada e colhida (e não podada), alegrar a todos e todas que a "sorte" não permite chegar ao cume daquela montanha. (Deus disse: "Eis que vos dou toda erva de semente, que existe sobre toda a face da terra, e toda árvore que produz fruto com semente, para vos servirem de alimento." (Gn 1,29))... E que por desígnios de Deus, estão "se comunicando" com o humano, através de sua mais singela linguagem: O Belo, o Amor.
W.L.Berner - outubro/2001
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