Mensagens e Pensamentos
Deus não é Deus de mortos, mas de vivos - Mc 12,27

Canion / Têmpera de terra / W.L.Berner, 1988 É muito questionada a sobrevivência depois da morte. No tempo de Jesus, na Palestina, este tema dividia os entendidos: os fariseus acreditavam na ressurreição, os saduceus não acreditavam. Os gregos procuravam argumentos na lógica. O Antigo Testamento é obscuro no assunto. Não estranha a pergunta que fazem a Jesus. E Jesus não camufla a resposta e declara haver ressurreição dos mortos, sem falar no modo e quando acontecerá. Ao aparecer a Moisés na sarça ardente, no deserto, Deus declara: "Eu sou o Deus de Abraão, Isaac e Jacó!" (Ex 3,6). Todos sabiam que os três patriarcas tinham morrido. Dessa declaração de Deus, Jesus conclui que os Patriarcas continuavam vivos, porque não tinha sentido Deus ser um Deus de mortos, mas de vivos. A morte portanto, não é definitiva, não é o fim de tudo, não é nem muro nem vale intransponível. Poderíamos dizer que a morte é o parto da eternidade.

A grande e definitiva garantia da ressurreição, porém, nos veio pela ressurreição de Jesus na Páscoa. "Aquele que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará também a nós com Jesus" (2Cor 4,14). Por isso, a vida presente, ainda que marcada de perplexidades e tribulações, se tece de esperanças. Aquela que tanto preocupa o homem, a morte, é de antemão derrotada.

Aquela que parece ser nosso fim, se torna ponte: por ela alcançamos o Deus vivo, que só é Vida.

Nosso destino não é a morte. É estar em Deus, para quem tudo vive. Com o Cristo, que disse "eu sou a vida" (Jo 14,6), formamos um só corpo destinado à glória. Por isso, para os que crêem, a morte é lucro, (Fl 1,21) e a vida presente, por melhor que seja, tem a chave do exílio, é o marírio da materialidade.

Ó Deus, eterno vivente, que não conheces ocaso, sustenta com tua mão o sol da minha vida terrena para que, no entardecer, eu entre na tua presença e permaneça sempre na tua luz! (2Cor 5,6). Amém.



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