Mensagens e Pensamentos
Achados e Perdidos

Lc 15,1-10: "a ovelha desgarrada e a moeda perdida"

Olaria - Têmpera de terra Assim nos diz o Salmista: "(Sl 119, 11-12) No coração conservo tua palavra para não pecar contra ti. Bendito és tu, Senhor: ensina-me tuas prescrições!"

A parábola do filho pródigo contém um grande número de enfoques principalmente aqueles que envolvem as questões mais sensíveis da vida familiar. Todos naquela parábola têm uma mensagem extremamente profunda para o contexto da vida hoje. E como são as parábolas da ovelha e da moeda? A primeira parábola, nos conta de uma "ovelha perdida".

De imediato nos chama a atenção que também nesta parábola nós vemos diversos "figurantes", cada qual com sua mensagem própria: Os publicanos; os pecadores; os fariseus e os escribas, o próprio Cristo, os "amigos", os "visinhos" e os justos.

Pois é, Cristo nos coloca de novo diante de um cenário bem típico e característico de nossa época. Quem são os publicanos e pecadores, senão aqueles "carentes da Palavra"? Quem são os fariseus e escribas, senão os "zangões" de todos os tempos? Quem são os amigos e visinhos, senão aquelas pessoas com quem nos sentimos "o mais próximo"?

E então, se observarmos por este enfoque, esta parábola revela em suas entrelinhas não só a imensa satisfação em ter-se o "arrependido resgatado" como o foi o filho pródigo, mas está intrínseco que é muito importante que se esteja a procura daquela "ovelha perdida", razão porque os fariseus e escribas murmuravam, não entendendo porque Cristo convive mais com os pecadores e publicanos. Aproxima-se deles e com eles tem comunhão, festeja e almoça. Seu objetivo maior, diríamos hoje, é fazer missão junto daqueles que ainda não encontraram seus elos, suas vias de acesso a Deus, à Palavra.

Se hoje em nossas Igrejas se está intensificando a missão, é justo porque estamos nos conscientizando do conteúdo principal desta parábola. Ir à busca do publicano e pecador; ir à busca da "ovelha perdida" que pode estar muito mais perto de nós que o possamos imaginar. E o que é mais importante: fazer missão sem deixar que os "fariseus e escribas" travestidos de "prazeres da vida", interfiram no nosso compromisso e engajamento missionário. Os resultados são evidentes: a grande alegria em receber a "ovelha perdida" o "filho pródigo", no seio da comunidade.

Saber-se pertencente a esta comunidade, uma das "99 ovelhas", é saber-se seguro das tentações da vida. É saber que se estamos em grupo, esperamos a chegada do Mestre com a "ovelha perdida" em seus ombros, e poder compartilhar da grande festa, e não ser indignado, e ingrato, como o irmão mais velho, na parábola do filho pródigo.

(Lc 15,7) "Eu vos digo que também no céu haverá mais alegria por um pecador que se converte do que por noventa e nove justos que não necessitam de conversão".

Aí está o grande júbilo, porque a grande satisfação reside exatamente em ter a vitória do trabalho missionário. Ser feliz e acolhedor como o Pai na parábola do filho pródigo, que alegrou-se imensamente com o regresso de seu filho perdido, e sabedor de que o galardão, a partilha, é direito igual de todos; tanto os 99 que já desfrutam desta maravilha, como para aquele que soube ser humilde e aceitar a verdadeira Palavra, o Caminho de Deus.

A parábola seguinte, conta que uma senhora havia perdido uma drácma das dez que possuía. Ela festeja, jubila, ao encontrar a moeda perdida...

A vida nos prega muitas peças, e é muito simples esquivar-nos das conseqüências destas "sortes" que temos que encarar. Basta colocar "bola pra frente", como diz o dito popular. Simples não é? "Ah, uma moedinha só... não faz diferença... foi só um centavo!" E deixamos "a bola rolar" para usar o mesmo dito popular.

Traduzindo em outras palavras: Um dia eu estava andando num Shoping, a caminho de meu ateliê, pensativo, refletindo sobre todas as ocorrências dos últimos tempos em minha vida. Fui de repente abordado por um casal, humilde e com ar de tristeza. Eu os conhecia de outras ocasiões. Dentro de sua humildade e modéstia e de poucas palavras, ele passou a reclamar de sua sorte nas artes. "É, pensei eu... igualzinho a tantas estórias que ouvi, e igualzinho ao que eu contaria". Me dei conta de que "não deveria me preocupar com mais um artista solitário". Pois é, deveria deixar aquele "drácma perdido pra lá", afinal nada tinha a ver com ele... Não seria mais fácil? Não seria um compromisso a menos na minha já imensa lista?

De pronto me toquei: e disse "me procure lá no meu ateliê... vamos conversar".

A estória poderia ser longa, mas resumo em dizer que esta pessoa, e seu filho (que no dia não estava junto) estão comigo até hoje, e posso constantemente, para nossa alegria, compartilhar com ele e sua família, os prazeres de uma convivência fraterna, cristã e saudável. Certamente nos ajudamos mutuamente, certamente seu filho se encontrou. Certamente esta família se "achou" na Casa de Deus através da arte. Hoje ele ainda está conosco, faz esculturas sacras e pinta paisagens belíssimas, e aquela que seria "uma drácma" perdida, escondida em seu próprio casulo, tem hoje um papel importante na Seara de Deus, e no meio artístico. Vive alegre agradecendo a Deus a "sorte" de, a partir daquele dia em que estava arrasado, poder desfrutar de um companheirismo cristão.

É mais ou menos isto. Como a senhora que acende as luzes, enfim varre a casa, e insiste até encontrar a drácma perdida. Nós também podemos insistir, abrir nossos corações, ter ouvidos abertos aos apelos e ao irmão que está na escuridão e iluminar-lhe o caminho que conduz para Deus.

(Lc 15, 9b-10 ) "Alegrai-vos comigo, achei a moeda que tinha perdido'. Assim, eu vos digo, haverá alegria entre os anjos de Deus por um pecador que se converte".

Assim, também nós podemos nos alegrar com cada filho que volta; com cada ovelha perdida que encontramos; com cada drácma achado.

Se o Reino de Deus jubila, nós podemos jubilar junto.

W.L.Berner - janeiro/2002



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